Médicos burlados
Foram ouvidos, ontem, no Tribunal de Oeiras, quatro médicos que foram burlados por três gestores da Cunha e Albuquerque, empresa que representa em Portugal o grupo Afinworld, especializado na negociação de objectos de arte e antiguidades.
De acordo com os discursos das testemunhas, o ‘modus operandi’ usado era sempre o mesmo. "O senhor Pedro Albuquerque chegou até mim através de uma colega que tinha feito negócio com ele", contou Ana Maria Piedade, que investiu cerca de 12 mil euros em obras de arte.
A colega em causa, Leonor Duarte, que investiu 16 mil euros, contou que o arguido Pedro Albuquerque lhe tinha garantido que o mercado da arte está sempre a valorizar e que, por isso, seria mais vantajoso investir neste tipo de negócio. "Era uma boa oportunidade de investimento", admitiu Vera Esteves Ribeiro, que tinha sido cliente do arguido na AXA.
"Ele parecia-me uma pessoa séria e eu fui investindo dinheiro no projecto", disse Leonor Duarte. A opinião foi confirmada por Luís Fogolin, que garantiu que o arguido lhe pareceu "uma pessoa séria, culta e bem educada". A estas justificações junta-se ainda o facto de Pedro Albuquerque ter trabalhado na AXA, o que transmitia segurança às vítimas. O dinheiro investido era entregue sempre da mesma forma – em cheque –, embora nenhuma das testemunhas se lembre à ordem de quem o mesmo era passado. Luís Fogolin foi o único que conseguiu reaver todo o dinheiro – 120 mil euros – investido nos vários contratos realizados. O mesmo só foi possível porque o médico associou a burla da Afinsa à Afinworld e exigiu a Pedro Albuquerque a restituição do dinheiro.
Além de Pedro Albuquerque, também Manuel Jesus Monteiro e Maria Elizabete Cunha Albuquerque são acusados de burla, embora não tenham sido reconhecidos.
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