Membro do PCC detido pela PJ tentou travar extradição com pedido de proteção internacional
Desde que as autoridades brasileiras pediram a extradição de 'Hulk', no final de novembro do ano passado, o caso já passou pelo Supremo Tribunal de Justiça.
O membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conhecido por 'Hulk' e detido no ano passado em Cascais, tentou travar a extradição para o Brasil com um pedido de proteção internacional, entretanto recusado.
Desde que as autoridades brasileiras pediram a extradição de 'Hulk', no final de novembro do ano passado, o caso já passou pelo Supremo Tribunal de Justiça e este membro do PCC, também identificado como um dos líderes do grupo ligado ao tráfico de droga, apresentou na Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) um pedido de proteção internacional para suspender a extradição.
O pedido foi, no entanto, "considerado infundado e considerado excluído de proteção internacional", avançou o Tribunal da Relação de Lisboa em resposta à Lusa, acrescentando que não está, "neste momento, prevista qualquer suspensão de extradição".
Depois de o Brasil ter pedido a extradição do homem detido pela Polícia Judiciária (PJ), o Tribunal da Relação de Lisboa autorizou a respetiva extradição, mas 'Hulk' recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça, que decidiu anular a decisão da Relação por considerar "que não havia sido concedido o direito ao requerido para se pronunciar" sobre uma resposta das autoridades brasileiras.
O caso voltou para o Tribunal da Relação de Lisboa, que no dia 25 de março deste ano decidiu, novamente, autorizar a extradição, ainda sem data.
Este membro do PCC foi detido a 13 de novembro de 2025 pela Polícia Judiciária, no âmbito de um mandado de detenção internacional, emitido pelo Brasil, por crimes de associação criminosa, corrupção e branqueamento de capitais.
No pedido de extradição, que consta no acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, as autoridades brasileiras indicaram que 'Hulk' é um dos dois líderes de uma organização criminosa que se dedica à adulteração de combustíveis, através de postos de venda em várias cidades brasileiras.
A investigação começou em 2023, quando um dos membros desse grupo foi identificado a transportar 30 mil litros de metanol - utilizado para adulterar combustíveis. A partir daí, a polícia brasileira encontrou, pelo menos, três organizações criminosas que comercializavam combustíveis adulterados.
O objetivo destas organizações criminosas é, segundo as autoridades do Brasil, revender combustível adulterado, corrupção de responsáveis pela fiscalização desta atividade e ainda a ocultação de valores de outras práticas criminosas.
Ainda que já tenham sido identificadas, a justiça brasileira sublinhou em 2023, quando pediu a prisão preventiva para 'Hulk' e outros membros da organização criminosa, que o grupo continuava a ter atividade em, pelo menos, 33 postos em 11 cidades, incluindo São Paulo e Campinas, e que foram constituídas oito empresas para lavagem de dinheiro e que continuavam a ter movimento.
'Hulk' nunca chegou a ser detido pelas autoridades brasileiras e não se sabe quando é que veio para Portugal com a mulher, também detida em novembro do ano passado. De acordo com a informação enviada ao Tribunal da Relação de Lisboa pelo membro do PCC para evitar a extradição e que consta no acórdão, 'Hulk' vivia em Cascais e disse trabalhar como diretor de logística de frota comercial, com um salário de três mil euros.
Na altura da detenção deste membro do PCC, o então diretor da Polícia Judiciária admitiu que o número de membros deste tipo de organizações "provavelmente pode ter aumentado" em Portugal, explicando que esse fenómeno pode ser explicado por diversos fatores: a pressão que as autoridades brasileiras têm feito no combate ao tráfico de droga, a proximidade entre os dois países e a questão da língua.
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