Menina violada na ida para a catequese
"Chegou a casa sozinha, a chorar e sem dizer uma única palavra. Pedia-se para ela falar e ela chorava”. O relato de uma vizinha espelha o drama de uma menina de dez anos, residente em Carriça, Felgueiras, que anteontem foi violada, pelas 08h30, por um homem de 27 anos, quando fazia o caminho para a catequese.
A violação deixou em estado de choque toda a população da aldeia e revoltada a família da vítima, que quer justiça. “Isto não se faz. Muito menos a uma criança”, disse ao CM, com os olhos lavados em lágrimas, a mãe da menina – que pediu para não ser identificada.
O CM apurou que o principal suspeito da violação, residente em Amarante e com 27 anos, já foi capturado pela PJ do Porto.
A pequena de apenas dez anos ia, como normalmente fazia ao sábado, para o local onde é dada a catequese, que fica a apenas quinhentos metros da paróquia. No caminho, junto ao cemitério, a menina foi abordada por um homem de mota que, com uma faca, a ameaçou e a fez seguir com ele.
O agressor ainda foi visto por populares a levar a criança para um monte, onde – disse depois a vítima – consumou a violação, mas ninguém suspeitou. “No final ainda disse à menina para não dizer nada ao pai porque se não dava-lhe um tiro de caçadeira”, contou revoltada uma familiar.
Depois de ter levado a pequena para o monte, “duas outras meninas apareceram junto à Igreja a chorar a dizer que tinham visto um homem com mau aspecto, mas não suspeitámos de nada”, disse Ermelinda, empregada do padre.
Às 09h30, quando regressava a casa, a menina violada foi encontrada pelo avô, que nessa altura trabalhava no campo. A família levou-a prontamente ao Hospital de Penafiel, onde os médicos confirmaram a violação, tendo encontrado sangue nos genitais. “Ainda não teve apoio psicológico, mas vou-lhe arranjar um. Isto é um trauma para a vida toda”, lamentou a mãe.
A menina passou depois a tarde a responder a questões da PJ. A família procura agora que a criança recorde o menos possível o que se passou, distraindo-a com brincadeiras. “Ela pediu às amigas para que não contassem a ninguém porque sente muita vergonha”, refere uma familiar.
A escola que a menina frequenta fica perto da igreja e ela tem medo. “Já diz que não quer ir a escola”, disse uma familiar.
ALDEIA ESTÁ EM ESTADO DE ALERTA
A violação da menina de dez anos veio aumentar o medo que a maior parte dos pais da Carriça têm em deixar os seus filhos irem sozinhos para a escola ou para a catequese.
“Se antes os pais já tinham receio por outros casos violentos que houve no passado nesta zona, agora vai com certeza piorar”, disse ao CM Ermelinda, empregada do pároco Joaquim de Oliveira. “Isto para mim foi uma surpresa, nunca pensei que pudesse acontecer aqui”, disse a empregada do padre. “Eu dizia sempre que não havia razões para alarme, mas agora, depois desta tragédia, é mesmo caso para ter muito cuidado”, disse.
Grupos de populares comentavam o sucedido e as palavras de revolta eram constantes. A violação deixou os habitantes da Carriça muito consternados, pelo carinho que têm à menina.
“É muito alegre e para a idade já e grandinha e gorduchinha”, afirmou Ermelinda. Fonte da GNR da Lixa disse que nos últimos tempos não tem conhecimento de mais casos naquela zona.
“Fiquei muito surpreendido com o que aconteceu, até porque andava tudo muito pacato”, disse a fonte policial.
OUTROS CASOS DE ABUSOS SEXUAIS
ABUSADA AOS DOIS ANOS
A 26 de Fevereiro, uma menina de dois anos teve de ser assistida e internada num hospital de Lisboa devido à agressão sexual violenta de que foi alvo, por parte de um homem de 18 anos. O violador, detido dois dias depois pela Polícia Judiciária, partilhava provisoriamente a mesma casa que a menina, apesar de não terem laços familiares.
VENDIDA PELA FAMÍLIA
O CM noticiou a 19 de Março o caso de uma menina que, aos 12 anos, foi constantemente abusada por um homem de 65 anos e pelo filho deste, com 36 – tudo isto com a passividade da mãe da menor que, em troca, recebia 650 euros mensais. Mais tarde, ficou sob a tutela de uma tia que também a ‘vendia’, a um terceiro agressor, de 31 anos.
VÍTIMA COM CINCO ANOS
Nos primeiros dias de Abril, uma menina de cinco anos foi abusada sexualmente por um homem de 40 anos, na zona de Cascais, onde ambos residem. Segundo a Polícia Judiciária, o agressor ter-se-á aproveitado da relação próxima que mantinha com a vítima para consumar os abusos sexuais. Foi a menina que denunciou a situação aos pais.
ATACADAS PELO VIZINHO
A Polícia Judiciária revelou a 18 de Abril o caso de cinco meninas, entre os seis e os onze anos, abusadas sexualmente por dois homens, de 46 e 75 anos, no Norte do País e em Santarém. No caso deste último, o suposto violador foi acusado de ter abusado de quatro crianças “com quem mantinha uma relação de proximidade e vizinhança”, segundo a PJ.
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