MICROSOFT ERRA NA GEOGRAFIA

A Microsoft recomendou aulas de geografia e cultura geral aos seus programadores, depois de ter sido obrigada a retirar do mercado produtos com erros graves, o que causou prejuízos de centenas de milhões de euros.

21 de agosto de 2004 às 00:00
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O problema é tão sério que um estratega da empresa, Tom Edwards, admitiu, na Conferência Internacional de Geógrafos, em Glasgow (Escócia), que os erros geográficos e de cultura geral de alguns programas levaram já à desvalorização da “taxa de confiança” da empresa, crucial para a sua competitividade.

Ao recomendar aulas aos trabalhadores, a empresa pretende colmatar os problemas causados pelos erros detectados, como a ofensa a vários governos, protestos e a retirada do mercado de milhões de cópias, uma perda elevada num mercado tão competitivo como o da tecnologia.

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Entre as incorrecções, contam-se a indicação da região disputada de Jammu-Kashmir como não pertencendo à Índia, um erro que foi considerado uma ofensa e que levou o governo indiano a proibir a venda do sistema operativo no país, causando perdas avultadas para a Microsoft, que corrigiu o erro na edição seguinte.

Mais recentemente, e especialmente grave dado o actual contexto político, outra ofensa surgiu no jogo ‘Kakuto Chojin’, onde os combates eram acompanhados por cânticos rítmicos, que eram, afinal, o “Corão”. Milhões de cópias haviam sido distribuídas, apesar dos alertas de Edwards para suspender a sua venda, quando a Arábia Saudita apresentou um protesto formal, obrigando a Microsoft a retirar todos os exemplares do mercado.

Um outro jogo, ‘Age of Empires 2’, foi proibido neste país por mostrar exércitos islâmicos ao ataque e a transformarem, com um clique do rato, igrejas em mesquitas.

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Outros erros detectados foram a colocação da bandeira da Coreia do Sul ao contrário ou a utilização do termo “hembra” (fêmea) para definir o sexo, considerado um insulto em alguns países da América Central. Na China, a polémica instalou-se com a referência a Taiwan como um país, o que é visto como uma ofensa, mas a situação já foi corrigida, optando-se pelo termo “região”, enquanto o Outlook referia o dia nacional (30 de Abril) do Uruguai – uma república – como o de “aniversário da rainha”.

O estratega da Microsoft relembrou ainda o que aconteceu na Turquia, onde funcionários da firma foram presos por terem mostrado o Curdistão como um estado separado.

“Na altura tirámos simplesmente o Curdistão do mapa. Ofendemos os curdos mas tínhamos ofendido mais os turcos e esse é um mercado mais importante para os nossos produtos”, explicou. “Neste caso, a decisão foi comercial, não política”, acrescentou.

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