Militar que perdeu as pernas em missão na República Centro-Africana vai ter alta
Aliu Camará foi um dos 24 condecorados por missão em África.
Internado há quatro meses, desde que um acidente de viação numa operação na República Centro-Africana obrigou à amputação das pernas, o soldado Aliu Camará foi um dos 24 militares da 5ª Força Nacional Destacada naquela missão da ONU condecorados esta quarta-feira, no Ministério da Defesa, pelos seis meses no país em conflito. O militar comando poderá ter alta para a semana.
Foi a primeira aparição pública do militar desde que ficou ferido a 15 de junho. Recebeu a Medalha da Cruz de São Jorge. "Era comandante da equipa que foi para o local. Tivemos de montar um perímetro na zona e extrair o Camará. Os homens portaram-se muito bem, conseguimos retirar o Camará o mais rapidamente. Foi difícil mas treinamos todos os dias para enfrentar aquelas situações", disse o sargento Ricardo Coelho.
"O que aconteceu com o soldado Camará foi o momento mais complicado. Depois, foi preciso fazer uma manutenção da moral e bem-estar da tropa para continuar", contou o major de Infantaria Tiago Albuquerque.
O soldado não foi esquecido nos discursos oficiais: o ministro da Defesa, que condecorou os militares, destacou a "resiliência que todos souberam manter e que o soldado Camará demonstrou nos meses de recuperação".
E o almirante Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, referiu que "as condições exigiram um forte espírito de missão e sacrifício bem visível no soldado Camará", sob o olhar atento do militar, abraçado por todos os camaradas no final.
DEPOIMENTOS
Tenente médica Diana Vila Chã
Elemento da equipa médica da missão
"Acidente marcou militares"
"O acidente com o soldado Camará foi o mais marcante para qualquer militar desta força. Uma situação crítica, mas que, felizmente, com o elevado espírito de corpo e competência de todos os militares teve a melhor resolução possível."
1º Sargento Ricardo Coelho
Comandante de equipa dos Comandos
"Sentiam-se seguros"
"Via-se na cara da população que sentiam a segurança, que sentiam que iam dormir descansados quando estávamos perto, sem se preocuparem com grupos armados, nem que a meio da noite alguém lhes entrasse pela casa e violasse a mulher ou as crianças."
Major Tiago Albuquerque
"Obstáculos ultrapassados"
"Foram seis meses com algumas complicações dentro do expectável, mas todos os obstáculos foram ultrapassados e os objetivos cumpridos com sucesso. Mesmo com tudo o que aconteceu, as forças tiveram e continuaram a operar apesar da forte baixa psicológica."
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