Ministério Público pede à juíza presença obrigatória de Sócrates em tribunal
Pelo menos 33 sessões de julgamento já ficaram sem efeito e uma centena de testemunhas já poderiam ter sido ouvidas.
Os procuradores da 'Operação Marquês' pediram à juíza que obrigue José Sócrates a comparecer a todas as sessões de julgamento e que seja alvo de uma multa excecional que pode ir até aos 1530 euros. Sustenta o Ministério Público que o antigo primeiro-ministro se encontra, há pelo menos quatro meses, "a impedir o bom decurso do processo, deixando-o refém de um “carrossel” de advogados renunciantes que abandonam a defesa".
Pelo menos 33 sessões de julgamento já ficaram sem efeito e uma centena de testemunhas já poderiam ter sido ouvidas.
Num requerimento enviado ao tribunal, o Ministério Público aponta ainda as consequências que a estratégia de Sócrates já provocou ao processo: desde novembro do ano passado, com a renúncia de Pedro Delille, advogado que acompanhava Sócrates há mais de uma década, pelo menos 33 sessões de julgamento já ficaram sem efeito e uma centena de testemunhas já poderiam ter sido ouvidas. Um padrão que, sustentam os procuradores, pode ser replicado "indefinidamente, bastando que o arguido encontre, como tem encontrado, defensores dispostos a desempenhar o papel de elos nesta cadeia infindável".
Para os magistrados do MP, a presença de Sócrates na sala de audiências teria permitido já poupar vários dias de interrupção de julgamento.
No mesmo documento, concluem que o objetivo de Sócrates está à vista de todos: "a tão desejada prescrição integral do procedimento criminal" de todos os crimes pelos quais Sócrates está pronunciado - 22 crimes, 3 dos quais de corrupção.
A Ordem dos Advogados nomeou, na sexta-feira, novo defensor oficioso para José Sócrates. Segundo apurou o CM, Marco António Amaro ainda não terá conseguido contactar o antigo governante.
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