“Ministério sabe que o Citius é ineficaz”
António Martins, Presidente Associação Sindical de Juízes sobre o sistema informático dos tribunais
Correio da Manhã – Concorda com os juízes que se queixam de que o sistema informático Citius tem graves falhas?
António Martins – Concordo. Já recebemos muitas queixas. Há provas que atestam que o Citius não é seguro nem eficaz e já pedimos ao Conselho Superior da Magistratura e ao Ministério da Justiça para realizar auditorias e estudos.
– E foram realizados?
– O Ministério da Justiça tem estudos sobre o sistema, mas ainda não os revelou. Pelo que sei, os resultados não são os mais favoráveis. O Ministério da Justiça sabe que o Citius é ineficaz.
– Qual é o nível de ineficácia que os juízes apontam ao sistema?
– Há diversos problemas. Há despachos que desaparecem do sistema, processos assinados electronicamente sem o conhecimento do respectivo juiz, para além de ser lento e apresentar vários erros.
– Acha que o sistema informático também não é seguro?
– Claro que não. Com estes problemas todos, o sistema não é seguro. Penso que os estudos feitos pela Ministério da Justiça revelam essa gravidade. Lamento que não os tenham revelado. Lamento ainda que o Conselho Superior da Magistratura também se tenha alheado desta situação, porque tem responsabilidades.
– Que soluções propõe para resolver esta problemática?
– Que sejam revelados os estudos e que tutela assuma os mais de dois milhões de euros gastos neste sistema informático que não funciona. A partir daí, tem de procurar soluções que resolvam o problema. Assim, não podemos trabalhar.
– Há juízes que já voltaram a usar o papel em vez dos programas informáticos. A situação já chegou a este ponto?
– Claro que sim, porque um sistema que prometia nomeadamente 100 por cento de redução do tempo de trabalho dos juízes está a complicar a mais de 100 por cento. O papel parece ser mais seguro.
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