Miséria ameaça família
Ontem à tarde, depois de ter pago a electricidade da casa onde mora, no bairro de habitação social da Cruz da Parteira, em Portimão, Maria Dilar Marcelino Nora, de 34 anos, ficou reduzida a 20 euros, o único dinheiro que lhe resta para viver até meados de Agosto, altura em que receberá uns magros 150 euros de abono de família.
Com dois filhos menores, Flávio, de 15 anos e Bianca, de 11, e ainda um afilhado de três (o qual está à sua guarda desde os dois meses de idade, por ordem do Tribunal e para cujo sustento não recebe nada, “porque os pais não dão”), Maria Dilar confessou ao CM estar “desesperada”. “Não sei como é que vamos conseguir comer. Não posso trabalhar porque a minha filha tem uma doença grave, do foro psiquiátrico, que a obrigou a deixar a escola e não pode ficar sozinha”, referiu, esclarecendo que o problema surgiu devido a questões de “má vizinhança”, que já a levaram a apresentar uma queixa no Ministério Público.
Desempregada, Maria Dilar perdeu o subsídio de desemprego social, que auferiu durante nove meses e, quando pediu o rendimento mínimo, foi informada de que “não tinha direito a ele”. “Antes recebia 400 euros por mês mas agora só tenho 150, dos abonos das crianças, que mal chegam para pagar a renda da casa, água e luz ”, disse.
“Já me disseram para pedir dinheiro emprestado, mas como é que eu posso fazer isso, se não posso dar garantias de poder pagar?”, perguntou, frisando que “até agora ninguém lhe deu solução”.
Na Segurança Social aconselharam-na a pedir novamente apoio, mas a resposta “vai demorar ainda uns três meses”. Até lá poderia pedir um vale de compras, mas teme que isso “seja só uma promessa e não chegue”. “O meu namorado é deficiente motor e também não me pode ajudar”, referiu, adiantando que “só a Câmara é que nos tem apoiado com alimentos, mês sim, mês não”.
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