Miséria ameaça família

Ontem à tarde, depois de ter pago a electricidade da casa onde mora, no bairro de habitação social da Cruz da Parteira, em Portimão, Maria Dilar Marcelino Nora, de 34 anos, ficou reduzida a 20 euros, o único dinheiro que lhe resta para viver até meados de Agosto, altura em que receberá uns magros 150 euros de abono de família.

30 de julho de 2007 às 00:00
Miséria ameaça família Foto: Paulo Marcelino
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Com dois filhos menores, Flávio, de 15 anos e Bianca, de 11, e ainda um afilhado de três (o qual está à sua guarda desde os dois meses de idade, por ordem do Tribunal e para cujo sustento não recebe nada, “porque os pais não dão”), Maria Dilar confessou ao CM estar “desesperada”. “Não sei como é que vamos conseguir comer. Não posso trabalhar porque a minha filha tem uma doença grave, do foro psiquiátrico, que a obrigou a deixar a escola e não pode ficar sozinha”, referiu, esclarecendo que o problema surgiu devido a questões de “má vizinhança”, que já a levaram a apresentar uma queixa no Ministério Público.

Desempregada, Maria Dilar perdeu o subsídio de desemprego social, que auferiu durante nove meses e, quando pediu o rendimento mínimo, foi informada de que “não tinha direito a ele”. “Antes recebia 400 euros por mês mas agora só tenho 150, dos abonos das crianças, que mal chegam para pagar a renda da casa, água e luz ”, disse.

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“Já me disseram para pedir dinheiro emprestado, mas como é que eu posso fazer isso, se não posso dar garantias de poder pagar?”, perguntou, frisando que “até agora ninguém lhe deu solução”.

Na Segurança Social aconselharam-na a pedir novamente apoio, mas a resposta “vai demorar ainda uns três meses”. Até lá poderia pedir um vale de compras, mas teme que isso “seja só uma promessa e não chegue”. “O meu namorado é deficiente motor e também não me pode ajudar”, referiu, adiantando que “só a Câmara é que nos tem apoiado com alimentos, mês sim, mês não”.

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