Moradores em Lisboa querem Twin Towers sem escritórios
Processo de licenciamento suspeito leva condóminos a apresentarem queixa-crime.
Um grupo de cerca de três dezenas de moradores do empreendimento Twin Towers, em Sete Rios, Lisboa, está contra a construção de uma "aldeia empresarial" no imóvel e afirma ter sido "enganado" pela imobiliária promotora do projeto.
Por suspeitarem de "crimes vários" durante o processo de licenciamento - que previra a reabilitação do antigo centro comercial do condomínio e culminara na abertura de um centro de escritórios - darão esta quinta-feira entrada a uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República. Paralelamente, uma ação judicial cível deverá correr ainda esta semana.
Aprovado pelos moradores em 2014, o projeto inicial assegurava, para além de uma área de restauração e supermercado, a "promessa" de ligar o imóvel à estação intermodal de Sete Rios.
Em contrapartida, a sociedade imobiliária promotora - a SeteCampos - impunha a construção de um lobby exterior, no espaço entre as torres.
"Um caixão negro, como é conhecido entre os moradores", conta Artur Redinha, um dos requerentes da ação. As obras, que deveriam estar concluídas em 2015, tiveram início em 2017, ano em que os condóminos foram informados – sem a consulta ou poder de veto que reclamam – de que o projeto havia sido "alterado e revisto" por não apresentar "sustentabilidade financeira".
Para os moradores, a mudança de planos esbarra no título constitutivo da parcela em causa que, por estar destinada "exclusivamente" à atividade comercial, não prevê o "exercício de qualquer outra atividade".
O CM tentou um esclarecimento da empresa SeteCampos por várias vezes, sem sucesso.
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