Morre depois de esperar 50 minutos para ser socorrido em Santarém

Meios foram acionados 10 minutos depois de o INEM receber pedido de ajuda e para uma morada errada.

12 de maio de 2026 às 19:50
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Um homem, de 48 anos, morreu na localidade de Moita do Lobo, Santarém, depois de estar mais de 50 minutos à espera de socorro. O alerta foi dado pelo pai vítima, na tarde de domingo, depois do filho ter começado a ter convulsões, vindo a perder a consciência.

Para além da ocorrência não ter sido classificada com o grau de prioridade máxima pelo CODU, os bombeiros voluntários de Santarém também só terão sido acionados dez minutos depois e para uma localização errada. Entretanto, a vítima entrou em paragem cardiorrespiratória. Só nessa altura, os bombeiros terão sido informados de que se verificou uma mudança para o grau de prioridade máxima, sendo também corrigida a morada.

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Por não disporem de desfibrilhador na ambulância em que seguiam, os bombeiros terão solicitado que fosse acionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Santarém, que estava inoperacional, enquanto a das Caldas da Rainha estava ocupada com outra situação.

Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, que teve conhecimento da situação, considera que este caso representa “o risco que é a medida que o presidente do INEM implementou no início do ano, que é atribuir um tempo de resposta às ocorrências que podem ir até aos 120 minutos”.

Antes da medida ser aplicada, cada vez que havia uma triagem “era enviado de imediato um meio de emergência”. Com o novo modelo, explica, “o tempo pode variar entre 8 a 120 minutos. Não é fiável e tem um risco acrescido e este caso prova isto mesmo”.

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Considera não ter havido má triagem, lembrando que uma situação clínica pode alterar-se. “É plausível que numa fase inicial tenha sido só uma convulsão e que mais tarde tenha evoluído para uma paragem cardiorrespiratória”.

Considera ainda que o facto de uma das VMER estar inoperacional e a outra ocupada, também não ajudou.

Rui Lázaro teme que a situação na emergência pré-hospitalar venha a agravar-se “se for levada a cabo a lei orgânica do INEM, que vai diminuir o número de ambulâncias disponíveis sobretudo as próprias do INEM”.

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