Morreu o pai e não tenho mãe
Baixou a cabeça e escorriam-lhe lágrimas pelo rosto. “Estás a ver? Morreu o meu pai e também já não tenho mãe”. Foram as únicas palavras que, até ontem, a psicóloga Teresa Rodrigues tinha conseguido do pequeno D. sobre o homicídio de Paulo Cruz. E foi no dia em que os avós o levaram à primeira consulta, a 10 de Fevereiro.
Maria das Dores tinha acabado de ser levada pela PJ por mandar assassinar o marido.
D. tinha sete anos. E mais de um ano depois do bárbaro homicídio de Paulo Cruz, a 20 de Janeiro, “a criança manifesta que ainda não teve abertura para fazer o luto do pai. É uma cicatriz que pode abrir a qualquer momento e vir a desencadear raiva, agressividade. O D. tem grande necessidade de afecto físico, que brinquem com ele. E ao mesmo tempo mostra um receio enorme em relação às figuras masculinas”.
A defesa da família chamou a psicóloga a depor no âmbito do pedido de indemnização a Maria das Dores, pelos danos causados ao seu próprio filho – e Ana Luísa e João Cruz, irmãos da vítima, também descreveram o sobrinho como um rapaz que hoje se fecha e isola. “Às vezes parece ter medo da crueldade na conversa das outras crianças – pela desgraça que lhe aconteceu na vida. Tentamos mostrar-lhe que tem os avós, tem os tios e a vida não acabou”, contou o tio João Cruz.
No dia em que a viúva voltou a trocar de advogado, tendo substituído Ana Valentim por dois advogados com escritório no prédio em que Paulo Cruz foi assassinado, em Lisboa, o cabeleireiro Duarte Menezes foi chamado a falar de João Paulo, um dos dois homicidas do empresário.
“Conheço o João Paulo há mais de quatro anos, fui eu que o apresentei à Maria. Mas quero deixar claro que o conheci em minha casa, não foi em nenhum bordel. Criámos amizade, entre aspas, e ajudava-me a passear os cães. Uma vez ia armado, mas nunca me maltratou”, diz o cabeleireiro.
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