Morte de Aurélio Palha ainda sem explicação
A equipa especial da procuradora Helena Fazenda deverá deduzir em breve a acusação do homicídio de Aurélio Palha, o dono da discoteca Chic, assassinado na madrugada de 27 de Agosto de 2007, em pleno conflito entre grupos rivais ligados à segurança de espaços de diversão nocturnos. Durante dois anos, a investigação fez diversas diligências a partir dos depoimentos de Berto ‘Maluco’, única testemunha do crime e que foi morto a tiro meses depois. O seu testemunho foi valorado.
Em Maio, a PJ fez uma pormenorizada reconstituição do crime, que, segundo apurou o CM, permitiu confirmar factos e testemunhos para acusar os suspeitos Bruno ‘Pidá’, Mauro Santos e Sandro Onofre. Estes três elementos do grupo da Ribeira foram reconhecidos por ‘Berto’, que estava com Aurélio Palha na altura dos disparos no exterior da discoteca. Berto afirmou que viu chegar uma carrinha Mercedes preta, conduzida por Mauro Santos, que parou junto à rampa de acesso ao estabelecimento.
Segundo ‘Berto’, os vidros das portas do lado direito da Mercedes abriram-se quase que em simultâneo, tendo conseguido reconhecer Bruno ‘Pidá’ no lugar ao lado do condutor. Afirmou ainda que no banco de trás estava Sandro Onofre. Disse que foi ‘Pidá’ quem empunhou uma pistola e que, por isso, temendo um disparo, se atirou para o chão, atrás do muro. As imagens captadas pelas câmaras de segurança das empresas mais próximas da discoteca – a Somague e o Banco Santander – foram também fundamentais à investigação.
EQUIPA ESPECIAL ESTÁ EM FUNÇÕES
A equipa especial , liderada por Helena Fazenda, ainda se mantém em funções, estando a seu cargo o processo relativo à morte de Palha e também de Berto ‘Maluco’. Esta equipa especial foi criada pela Procuradoria-Geral da República, que nomeou Helena Fazenda à revelia da então direcção da Polícia Judiciária do Porto. Uma brigada dos homicídios da PJ do Porto esteve mais de um ano a trabalhar com os magistrados e regressou ao seu lugar de origem no final do ano passado, após dedução da acusação relativa à morte de Ilídio Correia. Helena Fazenda continuou a trabalhar com pelo menos um elemento da Judiciária e outros efectivos de outras forças policias, tendo mesmo, já este ano, feito a reconstituição da morte de Aurélio Palha. O CM sabe que o processo encontra-se agora numa fase final. Resta saber se a prova recolhida é suficiente para sustentar a acusação pública, atendendo a que a principal testemunha foi assassinada.
GANG DA RIBEIRA COMEÇA A SER JULGADO DIA 7
O julgamento decorrerá no Palácio da Justiça do Porto, por questões de segurança. Bruno ‘Pidá’ – líder do gang da Ribeira –, Mauro Santos, Ângelo ‘Tiné’, Fernando ‘Beckham’ e Fábio (primo de ‘Pidá’) estão acusados da morte de Ilídio Correia na madrugada de 29 Novembro de 2007, a terceira da onda de homicídios na noite do Porto. Os quatro principais arguidos da ‘Noite Branca’ – ‘Pidá’, Mauro, Beckham’ e ‘Tiné’ – estão em prisão preventiva desde a operação da PJ do Porto, em 16 de Dezembro de 2007. As várias testemunhas, que deverão depor, descreveram os passos dos atiradores no alto do muro de Miragaia, a cerca de sete metros da vítima. Natalino e Hélder Correia, irmãos de Ilídio, identificaram Bruno ‘Pidá’ e Mauro Santos como tendo sido os atiradores.
PORMENORES
IMAGENS
Berto identificou a Mercedes e mais três viaturas, que as imagens das câmaras de vigilância das empresas captaram.
RECONSTITUIÇÃO
Concentrou-se no posicionamento dos carros e nas questões balísticas. Os buracos que ficaram no muro da entrada para a discoteca foram sinalizados.
MORTE DE BERTO
Não está esclarecida. A única testemunha da morte de Palha foi assassinada a tiros de metralhadora à porta de casa. Não há testemunhas.
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