Morte de idoso durante greve do INEM arquivada por demora poder não ser causa do óbito
Homem de 86 anos morreu na sequência de um enfarte do miocárdio sofrido em casa, em Bragança.
O inquérito-crime à morte de um idoso em Bragança durante a greve de técnicos do INEM em 2024 foi arquivado por não haver indícios de que o óbito tenha sido causado por atrasos no socorro.
No despacho de arquivamento, a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, o Ministério Público de Bragança confirma que entre a primeira chamada para a linha de emergência 112 e o acionamento de meios de socorro pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) passaram 48 minutos.
No entanto, salienta que "não foram colhidos indícios da existência de um nexo causal entre o alegado atraso no acionamento dos meios e o falecimento" de um homem de 86 anos com diversas comorbilidades que, em 31 de outubro de 2024, morreu na sequência de um enfarte do miocárdio sofrido em casa, em Bragança.
"Muito provavelmente o desfecho seria idêntico, caso o evento tivesse ocorrido num hospital e todos os meios de socorro estivessem disponíveis de imediato", sustenta no despacho proferido em 30 de outubro de 2025 a procuradora, com base num parecer técnico do Instituto Nacional de Medicina Legal.
Em julho de 2025, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) tinha concluído, sem culpar os trabalhadores do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), que o idoso poderia ter sobrevivido caso o socorro tivesse sido imediato, embora a probabilidade fosse reduzida.
No inquérito do Ministério Público de Bragança, estava em investigação a eventual prática de um crime de homicídio negligente.
No total, o Ministério Público abriu em todo o país seis inquéritos às mortes por alegada falta de socorro durante a greve de técnicos do INEM, no final de 2024, tendo sido todos arquivados, informou na semana passada a Procuradoria-Geral da República.
Em setembro de 2025, a IGAS concluiu as investigações a 12 mortes registadas no outono anterior e em três delas associou os óbitos a atrasos no socorro: o do idoso de Bragança, o de um outro, de 84 anos, que se engasgou com um pedaço de carne em Mogadouro, distrito de Bragança, e o de um homem de 53 anos que morreu na sequência de um enfarte, em Pombal, distrito de Leiria.
Nestes dois últimos casos, o arquivamento dos inquéritos foi também justificado pelo Ministério Público com a falta de indícios ou de certeza de uma relação direta entre a demora do INEM e a morte dos doentes, segundo os despachos consultados anteriormente pela Lusa.
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