MORTE POR ASFIXIA

Há muito tempo que já nem sequer trabalhava. A casa onde nasceu, e em que praticamente sempre viveu, no centro de Almada, chegou a ser alvo de uma acção de desinfecção por parte dos serviços de saúde da autarquia local. Na madrugada de ontem, um cigarro mal apagado consumiu, lentamente, o colchão em que dormia, dando origem a um incêndio. Apesar de ainda ter sido assistido, veio a morrer, asfixiado com o fumo, já no Hospital Garcia de Orta.

31 de maio de 2004 às 00:00
MORTE POR ASFIXIA Foto: David Oliveira
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É com alguma emoção que José Carlos e Guilhermina Cruz falam de Carlos José Peixoto, de 45 anos. O casal, residente no 2.º andar do n.º 5 da Praceta Infanta Dona Beatriz, em Almada, recorda-se bem do menino, na altura com nove anos, que conheceram quando foram viver, em 1968, para o prédio onde ainda habitam. "Ele vivia com os pais, e era uma criança normal", relembraram.

FECHOU-SE EM CASA

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No entanto, os anos passaram, e a vida de Carlos José começou a degradar-se. "Ele ainda viveu algum tempo com uma ou duas mulheres. Também trabalhou, penso que numa companhia de telefones, mas depois desempregou-se, e fechou-se em casa", salientou José Carlos Cruz.

A dependência do álcool que desde logo começou a mostrar, aliada à falta de higiene que revelava aos olhos de vizinhos e conhecidos, chegaram a obrigar o casal Cruz a fazer algo. "Há pouco mais de dois anos, fomos obrigados a chamar os serviços de limpeza da Câmara de Almada. Ele acumulou tanto lixo dentro de casa, que chegava até ao tecto", acrescentou.

Perante este cenário, uma tragédia adivinhava-se. E foi o que aconteceu, pouco depois das 04h00 de ontem.

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"Eu e a minha mulher já estávamos deitados, quando alguém nos bateu à porta dizendo que havia fogo. Quando abri a porta, vi tudo cheio de fumo, e só tive tempo de sair do prédio, com a minha mulher", referiu José Carlos Cruz.

Do interior da casa de Carlos José Peixoto saíam então labaredas, alegadamente causadas, segundo apurou o CM, por um cigarro mal apagado que pegou fogo ao colchão.

Em poucos minutos, chegaram ao local nove homens, auxiliados por duas viaturas, dos Bombeiros de Cacilhas, que conseguiram retirar a vítima de casa. Transportado, ainda com vida, ao Hospital Garcia de Orta, Carlos José veio a falecer.

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