MORTO ADEPTO DO PORTO

Morreu ontem no Hospital de Santo António, no Porto, o jovem bombeiro de Montalegre adepto do Futebol Clube do Porto (e não do Benfica como ontem erradamente noticiámos) baleado à queima-roupa por um benfiquista momentos após a conclusão do Benfica-Porto da final da Taça de Portugal, no domingo.

18 de maio de 2004 às 00:00
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Foi o mais grave dos vários desacatos ocorridos em todo o País no final da ‘festa’ e que se saldaram por diversos feridos em agressões, onze dos quais ainda em pleno Jamor e que tiveram de ir ao hospital.

São contraditórias em Montalegre as versões sobre a razão que terá estado por detrás do homicídio de João Francisco, de 18 anos. Num dado todos concordam: “não foram as simpatias clubistas que estiveram no cerne da questão, mas pode ter sido o futebol o rastilho que atiçou os ânimos”.

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Manuel Pereira, 25 anos, natural de São Pedro de Contins, Montalegre, está referenciado como o alegado atirador. Adepto confesso do Benfica, assistiu à final da Taça no bar ‘A Noite’. Logo após o apito do árbitro os seus colegas preparavam uma caravana da vitória encarnada e ele sentou-se dentro do carro.

Alguns minutos depois chegou à viatura de João Francisco, acompanhado de três amigos e ostentando no pára-brisas do carro um cachecol do Porto.

Ninguém sabe explicar a razão que terá levado João Francisco a ir direito à viatura do agressor, assim como ninguém ouviu as poucas palavras que terão trocado.

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Acto contínuo Manuel Pereira disparou apenas um tiro na barriga do opositor que lhe provocou uma hemorragia interna que lhe afectou o sistema cardiovascular, o que lhe viria a provocar a morte.

A vítima foi transportada de imediato ao Centro de Saúde local numa viatura particular e posteriormente evacuado para o Hospital de Chaves pelos bombeiros locais, de quem era membro activo.

O agressor ainda se manteve no local alguns minutos após o que se pôs em fuga e, ao que o CM conseguiu apurar, não fugiu do concelho, podendo entregar-se a qualquer momento.

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Segundo alguns vizinhos, brigas antigas por causa de uma rapariga, em que o homicida terá sido agredido por outros jovens, terão sido a razão porque disparou quando se viu acossado pela vítima.

A PJ esteve ontem a interrogar testemunhas, em especial os três amigos que viajavam na viatura da vítima.

DESACATOS NA AGUALVA FEREM TRÊS

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Adepto do Sporting, Manuel Nascimento festejava na Agualva, Sintra, a vitória do Benfica, quando foi esfaqueado no abdómen. Transportado ao Hospital Amadora-Sintra, deu de caras com o agressor e denunciou-o.

“O rapaz, negro, estava com a cara toda ligada porque depois de ter esfaqueado o meu amigo levou com uma garrafa na cabeça”, conta ao CM Manuela Coelho, que acompanhava a vítima quando da facada. Seriam 23h00. E na Avenida dos Bons Amigos, junto à pastelaria ‘JáJá’, milhares de pessoas comemoravam a vitória encarnada quando, uma discussão motivada, ao que tudo indica, por um indivíduo que trajava com um cachecol do Porto, despertou a atenção de Manuel Nascimento. “O ‘Nelinho’ tentou separar os dois rapazes mas um empurrou-o”, conta a amiga. “E depois o outro esfaqueou-o”, acrescentou. “Só vi o ‘Nelinho’ a cair para cima de um carro.”

Nos desacatos, mais dois rapazes sofreram ferimentos mas só um necessitou de assistência hospitalar. Já ‘Nelito’, de 41 anos, foi operado e, ontem, encontrava-se internado no serviço de cuidados intermédios do Amadora-Sintra. O agressor, denunciado pela vítima, foi detido em pleno hospital.

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POLÍCIAS AGREDIDOS EM DIA DE INCIDENTES À VOLTA DO JOGO

Pelo menos quatro agentes da PSP foram agredidos, anteontem, em confrontos registados no complexo do Jamor. Vinte e três adeptos ficaram também feridos (sete em agressões, 10 de doença e seis em quedas) e tiveram de ir ao hospital. 67 outros foram assistidos no local. Um polícia, do Corpo de Intervenção, permanecia ontem internado após ter sido atingido com uma pedra na cabeça. Uma agente da PSP de Oeiras foi também agredida e vai ficar de baixa. Para a final, a PSP mobilizou meio milhar de efectivos.

“Tendo em conta a globalidade da operação, podemos considerar que correu muito bem, sem registo de incidentes no interior do estádio”, referiu ao CM Isabel Canelas, da PSP. A situação no exterior foi diferente. “Houve incidentes em pontos distintos da cidade”, admitiu a comissária.

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Apenas um adepto do Porto foi identificado por participação em rixa. O caso ocorreu na A5 (Lisboa-Cascais), quando adeptos do Porto que iam de autocarro arremessaram objectos a viaturas na zona da Quinta da Formiga (Linda-a-Velha) e, diz a PSP, “chegaram a arrancar braços dos bancos para arremessar”. O contrário também sucedeu, com autocarros de adeptos do Porto a serem apedrejados à passagem na Segunda Circular. Aqui, duas adeptas ficaram feridas.

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