Morto na cadeia já tinha pedido para sair da cela
Corpo de Manuel Rodriguez Colorado, de 28 anos, já foi trasladado para Sevilha, Espanha.
A família de Manuel Rodriguez Colorado, o recluso espanhol de 28 anos que foi assassinado na própria cela por outro recluso, no Estabelecimento Prisional de Lisboa, na madrugada de 11 de março, afirma que o detido já tinha pedido várias vezes para mudar de cela.
Em causa estava a insegurança do espanhol, que estava em prisão preventiva a aguardar julgamento por tráfico de droga. Gidson, o companheiro de cela que o ameaçava, aguardava também julgamento, mas por homicídio. Como o CM noticiou, o cabo-verdiano é o autor confesso da morte, à facada, de um cozinheiro romeno, num hotel de Lisboa.
Os dois homens terão partilhado a mesma cela durante três semanas. Ao longo desse período, revelaram familiares do espanhol, Manuel Rodriguez Colorado terá alertado os guardas prisionais para a "instabilidade mental" do companheiro de cela, tendo mesmo feito denúncias escritas do "perigo" que atravessava. Segundo essas denúncias, nenhum dos apelos foi ouvido, tendo Manuel Colorado morrido asfixiado. Gidson, o homicida, tentou depois suicidar-se, cortando o pescoço. Os Serviços Prisionais negaram ao CM denúncias de Manuel Colorado, acrescentando que o corpo do recluso foi trasladado para Sevilha, Espanha, na terça-feira.
Para Vítor Ilharco, secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, este foi um caso que "exemplifica a necessidade de destacar psicólogos para as cadeias, já que, com estes profissionais, nunca se permitiria que um homicida dividisse a cela com reclusos de crimes menores".
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