MP diz que Manuel Pinho recebeu subornos de 1,2 milhões de euros de Ricardo Salgado quando estava no Governo
Em causa estão crimes de corrupção ativa e passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal.
“O que são estes pagamentos de 500 mil euros e de 15 mil euros mensais durante quatro anos? Estes pagamentos só podem ser interpretados pelo tribunal como um acordo corruptivo.” Rui Batista, procurador do Ministério Público (MP), defendeu, na segunda-feira, que ficou provado, em tribunal, que Manuel Pinho recebeu subornos de 1,2 milhões de euros de Ricardo Salgado quando estava no Governo, entre 2005 e 2009, para favorecer o Grupo Espírito Santo (GES). Implacável nas palavras, o procurador pediu aos juízes mão pesada: pelo menos 9 anos de prisão efetiva para o ex-ministro da Economia, uma pena entre os 6 e 7 anos de cadeia para o ex-banqueiro e 4 anos de prisão, com pena suspensa, para Alexandra, mulher de Pinho.
Em causa estão crimes de corrupção ativa e passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal.
Segundo o magistrado, quem ordenou os pagamentos foi o ex-presidente do BES. “Não era relevante se Ricardo Salgado era o ‘Dono Disto Tudo’. O que interessa para o Ministério Público é que Ricardo Salgado foi dono da relação com Manuel Pinho”, afirmou Rui Batista, que defendeu a importância da prova indireta para provar que houve corrupção.
“Não são crimes de impulso. Neste caso é relevante uma pena que tem de garantir a censurabilidade e que o crime não compensa.” Manuel Pinho, de 69 anos, encontra-se em prisão domiciliária, com pulseira eletrónica, desde dezembro de 2021, na sua quinta em Braga.
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