MULTA PAGA COM 13.966 MOEDAS DE UM CÊNTIMO

O empresário portimonense Vitor Manuel Falé de Matos arranjou uma forma curiosa e diferente de pagar, na Capitania do Porto de Portimão, uma coima no valor de 139,66 euros (28 contos): deu quitação a esta quantia através de 13.966 moedas de um cêntimo.

02 de agosto de 2002 às 23:09
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As moedas foram acondicionadas num saco de plástico, que ficou com um peso entre 30 e 35 quilos. Na secretaria daquele organismo, Vítor Matos, acompanhado da sua advogada Paula Salgueiro, depositou sobre um balcão as milhares de moedas. A contagem das moedas teve de ser suspensa cerca das 18 horas, continuando na segunda-feira, mas num banco.

A atitude de Vitor Matos ficou a dever-se, segundo o mesmo referiu ao CM, "não ao facto de ter sido vítima dessa coima", que, aliás considera "justa e dentro da lei", mas porque, conforme explicou, " as autoridades marítimas não exercem o mesmo critério de fiscalização a outras pessoas e pelo mesmo tipo de transgressão, a falta de carta para pilotar motas de água".

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A contra-ordenação e respectiva coima foram passadas em nome da filha do empresário, Victória Helena Texier de Matos, apanhada pela Polícia Marítima a conduzir uma daquelas máquinas sem estar habilitada legalmente para o efeito.

Ora aqui é que se levanta a indignação de Vitor Matos, demonstrada na forma como procedeu ao pagamento da coima. Segundo garante o empresário, "na Praia da Rocha os concessionários do aluguer de motas de água fazem-no a qualquer pessoa, independentemente de terem ou não a respectiva licença de condução".

E OS OUTROS?

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É esta "dualidade" que contesta e interroga: "Serei eu e os meus os únicos a prevaricar? E os outros, porque é que não são alvo de mais coimas?" O empresário sustenta que "nesta época balnear os concessionários foram talvez multados umas 10 vezes, com coimas num total de cerca 1500 euros", enquanto que ele, sozinho e fora do negócio, em menos de um mês já pagou cerca de 280 euros, garante.

A versão de Vítor Matos é, no entanto, desmentida pelo Capitão do Porto, Heitor Cardoso, que em declarações à Lusa nega a existência de qualquer perseguição e garante que a Polícia Marítima age de acordo com a lei.

Em relação aos concessionários da Praia da Rocha, o responsável afirmou àquela agência noticiosa "que têm sido alvo de coimas e multas diversas ao longo do ano, por infracções cometidas no mesmo âmbito e outras, actuando as autoridades marítimas sempre que apanham os infractores em flagrante".

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