NÃO FUI EU QUE A MATEI
Começou, ontem, no Tribunal de Valongo, o julgamento de José e Clara Gomes, de 31 e 24 anos respectivamente, acusados da morte da Catarina, de apenas dois anos e meio, em 18 de Outubro de 2003. Ao casal é imputado o crime de ofensas graves à integridade física, agravada pelo resultado – a morte – incorrendo em penas que podem ir dos três aos doze anos.
A chegada dos dois arguidos foi envolvida de um grande aparato, três carros celulares fizeram barreira entre os acusados e os populares, que muito agitados lançavam impropérios contra José e Clara.
Na sessão de ontem, apenas foi ouvido o pai da Catarina que recusou responsabilidade na morte da menina, “não fui eu que a matei. Sempre dei carinho aos meus filhos e nunca fazia isto à minha filha”, disse o arguido perante o juiz Fernando Amaral.
Posteriormente, o juiz confrontou José Gomes com elementos da acusação: “em dois meses e meio bateram sempre à Catarina (...) Batiam os dois com as mãos, com os pés, com a colher de sopa. (...) Puxavam os cabelos, batiam-lhe na cabeça, davam pancadas, murros e pontapés na zona abdominal e nádegas. Davam unhadas....”. Todas as acusações foram rebatidas por José que transferiu as culpas para a mulher Clara, apesar de algumas contradições detectadas pela Procuradora do MP. O arguido diz que a mulher lhe enviou um carta para a prisão em que assumia a responsabilidade da morte.
O pai de Catarina reconhece que se apercebeu que a criança tinha várias mazelas no corpo, mas sempre pensou que fossem consequências de acidentes. O facto de Catarina nunca ter sido vista por um médico é justificado pelo pai com confiança em Clara que na altura lhe disse que a tinha levado ao Hospital.
O julgamento continua hoje, com a audição da arguida, Clara.
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