“Não matei o Palha, o Ilídio ou o Berto”
Por que motivo ia matar o Aurélio Palha que não conhecia? Por que iria matar o ‘Berto Maluco’ se não tinha motivos para tal? Por que iria matar o Ilídio Correia?" As perguntas de Mauro Santos, o mais jovem detido preventivamente no âmbito da operação ‘Noite Branca’ – que visou esclarecer a onda de violência que durante meses assustou o Grande Porto –, constam de uma carta aberta, escrita pelo suspeito e ontem enviada ao CM.
O rapaz, de 19 anos e indiciado por dois dos quatro homicídios ocorridos no Grande Porto, garante que está a ser vítima de uma cabala. Diz que a polícia não quer esclarecer a verdade, bastando a série de 'mentiras' inventadas pelos familiares e amigos de Ilídio Correia. 'Não acredito na Justiça. [...] Existem testemunhas que sabem que estou inocente e foram já ameaçadas. Têm medo de falar. Não parecem importantes, porque contrariam as versões [da PJ]', diz ainda o jovem que recorda ter também sido ele próprio vítima de violência.
'No dia 7 de Julho fui baleado oito vezes, tendo ainda no meu corpo sete balas alojadas. Identifiquei na altura os autores dos disparos. Existem filmagens que provam a verdade do que eu digo. [...] Antes de ser preso fui diversas vezes agredido, ameaçado e ultrajado por aqueles que agora me acusam', continua Mauro Santos – que acusa os irmãos de Ilídio Correia, uma das vítimas, de terem montado uma estratégia para o incriminar.
'São familiares e amigos da infeliz vítima. [...] Mas se eu não matei quem me baleou oito vezes no meu corpo, por que ia disparar contra outros?', questiona.
Mauro Santos esclarece ainda que em Agosto passado, quando Aurélio Palha foi assassinado à porta da discoteca Chic, estava doente. 'Como podia matar oAurélio Palha se estava em tratamento médico com oito tiros no corpo. Mais depressa matava quem quis matar-me do que aqueles que nunca me deram tiros ou motivos para isso', conclui, assegurando que ninguém está preocupado com o que lhe vai acontecer. 'Talvez por não ter familiares', lamenta.
INDICIADO POR OITO CRIMES
Mauro Santos é considerado o número dois do gang da Ribeira. Na operação ‘Noite Branca’ ficou detido preventivamente, acusado de dois crimes de homicídio qualificado de Aurélio Palha e de Ilídio Correia. Está também acusado de seis crimes de tentativa de homicídio, um crime de posse de munições proibidas e um crime de tráfico de droga. Mauro é o mais novo dos elementos do gang da Ribeira mas é visto como o braço-direito do líder Bruno ‘Pidá’. Na operação de 16 de Dezembro foi detido em casa de um amigo. Cumpre a medida de prisão preventiva nas celas da Polícia Judiciária do Porto.
PORMENORES
RECURSO
A defesa de Mauro Santos interpôs recurso para o Tribunal da Relação do Porto, a contestar os pressupostos da prisão preventiva. Ainda não há decisão da Relação.
JUDOCA
Mauro Santos praticou judo durante vários anos e foi atleta federado. Os treinadores e os colegas dizem que podia fazer uma carreira de sucesso. Os oito tiros que levou no corpo obrigaram o jovem a abandonar o desporto.
ÓRFÃO
Ficou órfão muito cedo e cresceu em instituições do Estado. A última foi as Oficinas de S. José, no Porto, até ter completado os 18 anos.
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