“Não quis matar o juiz”

O homem que, em meados de Outubro, invadiu o Tribunal da Covilhã e se sentou na cadeira do juiz na sala de audiências, apontando uma arma à cabeça, já está numa casa disponibilizada pela Segurança Social. Garante ao CM que agiu por "impulso" por ter ficado "perdido" quando ficou sem a tutela dos dois filhos – mas diz que "nunca quis matar ninguém".

02 de dezembro de 2008 às 00:30
“Não quis matar o juiz” Foto: Edgar Martins
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Jaime Santos, de 45 anos, acabou por ser detido pela Polícia Judiciária, após intervenção de negociadores da PSP e do Grupo de Operações Especiais (GOE). Esteve internado no Hospital da Covilhã, de onde recebeu alta na última semana. Agora está a viver numa casa que a assistência social lhe disponibilizou em Teixoso e pretende 'reerguer a vida', trabalhando para proporcionar 'um bom futuro' aos seus dois filhos – uma rapariga de 16 anos e um rapaz de 14.

'Fiquei perdido por o juiz me ter tirado os meus dois filhos. A única coisa que me ocorreu foi ir para o tribunal, para me suicidar ali. Estava armado, mas nunca quis matar ninguém, muito menos o juiz', assegura Jaime Graça – salientando que apenas queria 'chamar à atenção' para a 'injustiça' de que foi alvo. Agora, 'é tempo de voltar a viver' e pede desculpa 'aos funcionários do tribunal'. 'Vou voltar a trabalhar para ajudar a pagar as despesas dos meus filhos', garante o homem que, em Outubro, voltou a deixar a à vista a falta de condições de segurança nos tribunais portugueses.

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A vida de Jaime Graça 'nunca foi fácil'. Nascido numa família pobre, desde muito cedo se envolveu no negócio ambulante, vendendo pipocas e castanhas. Há cerca de 25 anos foi condenado a sete anos de prisão por um homicídio, ocorrido no Algarve, que diz ter sido 'em legítima defesa' – durante uma briga.

Quando saiu da cadeia, há dez anos, queria 'reerguer a vida, mas não foi fácil'. Separou-se da mulher e tem uma má relação com a mãe. 'Com a minha ex-mulher está tudo resolvido, mas à minha mãe não perdoo. Pôs--me fora de casa, a mim e aos meus filhos.'

PORMENORES

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INTERROGADO PELA PJ

Jaime Graça foi interrogado pelos inspectores da Polícia Judiciária da Guarda e foi constituído arguido. O caso foi entregue ao Ministério Público do Tribunal da Covilhã.

FILHOS ESTÃO NO PORTO

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Os dois filhos do arguido residem agora nos arredores da cidade do Porto com a mãe, que é também vendedora ambulante. Jaime Graça Santos está autorizado a vê-los sempre que quiser.

FUNCIONÁRIO DÁ ALERTA

A primeira pessoa a se aperceber da presença de Jaime armado na sala de audiências, no dia 17 de Outubro, foi um funcionário judicial que passava no corredor. Ao ver o homem com uma arma sentado na sala alertou um colega.

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CHAMARAM A POLÍCIA

Um segundo funcionário foi depois questionar Jaime Graça para saber o que ele queria, mas este não respondeu. Depois chamaram as autoridades policiais

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