"Não tenho dinheiro nem contas bancárias em nome de amigos"
Juiz Carlos Alexandre assume responsabilidade por todas as decisões tomadas.
Magistrado no Tribunal Central de Instrução Criminal desde 2004, o nome do Juiz Carlos Alexandre surge associado a alguns dos casos mais polémicos que chegam aos tribunais portugueses. Operação Furacão, Caso BPN, Face Oculta, Freeport, Monte Branco, Vistos Gold, Rota do Atlântico ou Processo Marquês, entre outros, todos estão ou estiveram a cargo de Carlos Alexandre.
Em entrevista à SIC, o magistrado diz não aceitar os rótulos de ‘juiz-estrela’ ou justiceiro, afirma que trabalha com afinco e com gosto pelo que faz. Quanto toma uma decisão, Carlos Alexandre defende que assume sempre a responsabilidade e diz que nunca se arrependeu de uma decisão por si tomada, quando o que estiver em causa seja um erro seu. No entanto, diz que já tomou decisoes que lhe foram "desconfortáveis".
Nascido no seio de uma família humilde, de classe média baixa, o ‘Saloio de Mação’ como alguns lhe chamam diz que tem contas para pagar com qualquer português: "Não tenho dinheiro nem contas bancárias em nome de amigos. Não tenho heranças".
"Portugal tem tantos corruptos ou situações que potenciam a corrupção como outros países", afirma, defendendo que a
delação premiada "seria um incentivo a participar na administração da Justiça".
Carlos Alexandre diz ter noção de que é observado e escutado, até no dia-a-dia, mas que não tem medo. "Por vezes o telefone vai abaixo, ou para voicemail num sítio com rede máxima. Se tivesse medo, não me levantava da cama", defende, recordando que, há 9 anos, a sua casa foi assaltada e encontrou uma arma em cima da fotografia do filho.
O juiz nega o poder que muitas vezes lhe é atribuído e considera-se um "vértice menor de uma pirâmide", admitindo que conhece muitos pormenores dos bastidores de negócios, decisões políticas ou contas bancárias de figuras de relevo portuguesas, mas que não é "pessoa que ninguém deva ter medo".
O magistrado diz não ter amigos na área e tem consciência de que se erra grosseiramente não será aceite na Magistratura.
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