NÃO VI QUE ERAM DA POLÍCIA
O mestre da embarcação espanhola ‘El Ladrillo’, Agostin Garcia, que começou ontem a ser julgado no Tribunal de Vila Real de Santo António, por alegada agressão, desobediência e resistência à autoridade, quando se encontrava a pescar ilegalmente (com draga hidráulica) em águas portuguesas, disse “não se ter apercebido que eram da Polícia Marítima (PM).”
Perante o colectivo presidido, pelo juiz Jorge Langweg, o arguido alegou não ter agredido nenhum dos agentes – contrariamente ao que consta na Acusação – quando os mesmos subiram a bordo do ‘El Ladrillo’. Agostin Garcia acrescentou ainda que ele sim foi agredido pelos policiais e referiu ainda que não estava a pescar, mas apenas a navegar em águas portuguesas quando foi abordado.
Testemunho que curiosamente viria a ser contrariado por uma testemunha de Defesa, também tripulante do ‘El Ladrillo’, que admitiu estarem a operar com artes ilegais no dia em que foram interceptados pela PM.
Durante a sessão de ontem foram ouvidas ainda testemunhas de Acusação, nomeadamente o agente da PM que deu ordem de paragem ao ‘El Ladrillo’, Rui Vicente, que no entanto disse não ter presenciado qualquer agressão a bordo da embarcação nem ter visto a draga a ser utilizada. Outra testemunha revelou no entanto uma versão diferente dos acontecimentos. O agente Pedrosa, que fez o auto de notícia, referiu: “Mal saltámos para bordo, dois agentes começaram a ser agredidos, um pelo mestre, que tentou atirá-lo à água e o dono da embarcação atingiu outro com murros e pontapés”, relatou a testemunha que alega também ter sido agredido e confirmou ter observado a embarcação a utilizar a draga hidráulica. Todas as testemunhas confirmam que foi dada ordem para a embarcação parar e que a mesma se pôs em fuga, o que levou à intervenção.
ESPANHÓIS SOLIDÁRIOS COM GARCIA
A acção policial que originou a detenção do pescador Agostin Garcia e a apreensão do barco ‘El Ladrillo’ ocorreu na madrugada de 8 de Maio de 2003. Na altura, duas lanchas da Marinha Portuguesa, com a ajuda de fuzileiros, detectaram a embarcação a pescar ilegalmente em águas portuguesas, entre Vila Real de Santo António e Monte Gordo, na zona da barra dos ‘Três Pauzinhos’. O barco foi apreendido e o mestre esteve detido preventivamente durante três meses, sendo libertado em Agosto sob uma fiança de 25 mil euros. A detenção de Agostin Garcia indignou a povoação da Isla Cristina, de onde é natural, tendo levado os seus conterrâneos a organizar um dia de greve geral, a 29 de Maio, exigindo a sua libertação. Naquele dia, o comércio da ilha encerrou e os populares reuniram-se em assembleia permanente, solidários com o pai do pescador, que esteve em greve de fome no salão nobre da Câmara local.
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