Nevão isola Bragança
Os 15 passageiros do Expresso das 9h00 entre Bragança e Porto não ganharam para o susto, ontem, no Alto das Rosas, em pleno IP4. O autocarro apanhado pelo nevão começou a deslizar, de forma lenta mas imparável, até se imobilizar na valeta da faixa do sentido contrário. Por sorte, não houve feridos.
“Eu estava a ver a neve, no tabuleiro que fica por cima do IP4, quando reparei que o autocarro começou a perder aderência e foi cair na valeta”, disse ao CM Artur Gonçalves, testemunha do acidente.
“Os passageiros saíram com normalidade, não me parecendo em pânico e até com boa disposição. Pouco depois, chegaram viaturas que o recolocaram na estrada e o veículo seguiu viagem”, acrescentou a mesma fonte.
Este, um dos episódios no tráfego à volta de Bragança, cidade que ficou parcialmente isolada devido ao forte nevão que caiu durante a madrugada e ao longo da tarde.
Viaturas bloqueadas, em particular camiões e autocarros, bem como filas de trânsito com quilómetros de comprimento foram o quotidiano na maioria das estradas regionais.
Já na cidade, o ambiente foi outro, com a população a aproveitar o nevão para se divertir nas ruas, tanto mais que a neve que se amontoou junto às portas não impediu que se retirasse as viaturas das garagens.
A Brigada de Trânsito da GNR foi incansável, quer no apoio aos condutores em dificuldades, incluindo o reboque, com cabos de aço, aos pesados camiões TIR, quer na coordenação do trânsito, numa situação caótica, em particular no Alto dos Bornes, um dos picos mais altos da região e na zona de Rio Frio, junto à fronteira de Quintanilha.
LIMPA-NEVE AVARIADO
“Estou satisfeito por não existirem danos humanos ou materiais, num cenário muito complicado de gerir”, disse Jorge Gomes, governador civil de Bragança.
“Reforçámos com mais operadores as centrais de emergência, porque da forma como está a nevar nesta altura (19h00 de ontem) prevemos que a situação possa piorar, com a redução de trânsito e menos carros a abrir caminho e a calcar a neve”, explicou ainda o representante do Governo.
O limpa-neves do Instituto das Estradas de Portugal de Bragança sofreu uma avaria no sistema eléctrico, o que levou à requisição das máquinas dos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros e de Bragança, mais pequenas e menos potentes, para a limpeza das vias principais.
A meio da tarde, o limpa-neves vindo da Régua e o de Bragança (entretanto reparado) tomaram conta do serviço, passando os outros para as vias secundárias.
A chuva caiu ontem por todo o País, com mais intensidade em todo o Litoril e, até, no Alentejo, acompanhada de baixas temperaturas. No interior Norte, a chuva acompanhada por baixas temperaturas provocou fortes nevões.
No entanto, até à próxima quinta-feira, as previsões do Instituto de Meteorologia apontam para uma melhoria gradual do tempo: regime de aguaceiros e com a neve a cair apenas em altitudes superiores aos 1100 metros.
Para hoje, prevêem-se alguns aguaceiros, sobretudo na madrugada e manhã e mais frequentes no Litoral. Acima dos 1100 metros haverá nevões esporádicos. Amanhã, o dia será idêntico ao de hoje, embora com uma pequena descida das temperaturas mínimas.
A partir de quarta-feira, céu pouco nublado ou limpo, embora por vezes muito nublado no Litoral Norte e Centro. A temperatura deve subir ligeiramente e é de prever a formação de geadas nos locais abrigados do interior Norte e Centro.
ESTRELA INTERDITA
As estradas de acesso ao Maciço Central da Serra da Estrela – EN339 (Piornos-Torre), EN338 (Manteigas-Piornos) e EN232 (Gouveia-Manteigas) estiveram ontem intransitáveis devido à queda de neve. O mesmo aconteceu com a via que liga Castro Daire-Cinfães. A neve também pintou de branco a cidade da Guarda, mas não provocou problemas na circulação rodoviária.
BARRAS FECHADAS
O mau tempo também se fez sentir no mar, o que levou ao encerramento de cinco barras marítimas, enquanto a de Leixões esteve condicionada, devido a trabalhos. As barras de Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Douro e Figueira da Foz estiveram encerradas. Em Leixões, o condicionamento deveu-se ao rebentamento com explosivos de rocha submarina, segundo o Comando Naval.
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