NOVOS RÁDIOS VÃO EQUIPAR O EXÉRCITO
O ministro da Defesa, Paulo Portas, assinou sexta-feira o despacho que dá indicações à Direcção-Geral de Armamento e ao Exército para negociarem com a empresa portuguesa EID a assinatura do contrato-programa para fornecimento de 1200 rádios tácticos, os PRC 525.
Os equipamentos são de desenvolvimento e produção portuguesas - em cooperação com a firma alemã Rohde & Schwarz, uma das principais accionistas da EID - e foram concebidos segundo os requisitos do Exército e da Marinha.
O valor do contrato-programa para o Exército é da ordem dos 50 milhões de euros e deverá ser assinado ainda em Março, com as primeiras entregas a serem efectivadas no próximo ano, até 2009.
O PRC 525 irá colmatar uma grave lacuna no campo das transmissões, uma vez que o Exército - por falta de equipamento - já não estava a corresponder aos requisitos NATO, que dão preferência às comunicações por envio de dados, ao invés da voz. No entanto, a Marinha, através dos Fuzileiros, será o primeiro ramo a receber os PRC, em princípio já em Março, uma vez que os requisitos não eram tão exigentes quanto os do Exército.
O novo rádio poderá também permitir à EID dar um salto para a frente nas comunicações terrestres nos mercados externos, seguindo o sucesso comercial que tem vindo a conseguir no campo naval.
EQUIPAMENTO FLEXÍVEL
Foram dois anos de testes, mas finalmente chegaram ao fim, com o Exército a dar a luz verde em Janeiro ao protótipo do PRC 525. O rádio vai dispor da rapidez de processamento suficiente para ser associado a um terminal de computador para transmissão de dados, um processo englobado numa intranet militar considerado mais fiável e seguro que a trasmissão por voz. A questão é que o Exército pretendia um equipamento multibanda, para trabalhar em HF, VHF e UHF, flexível e modular e que pudesse corresponder aos requisitos NATO. Ainda hoje, por exemplo, comunicar de um meio terrestre táctico para um meio aéreo ainda é problemático e o único recurso tem sido um Racal que os pára-quedistas trouxeram da Força Aérea. O PRC deverá colmatar esta lacuna e irá também equipar os blindados de rodas, igualmente para a Marinha. Os novos rádios deverão também ser instalados a bordo do navio polivalente logístico, para efeitos de comando e controlo de operações anfíbias. No Exército, o PRC 525 vai substituir o PRC 425, também produzido pela EID.
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