O cão mordeu a menina para a conhecer melhor

O dono do cão da raça ‘pitbull’ que atacou uma criança de oito anos e uma jovem de 17 anos, em Porto de Mós, diz que o animal “foi criado para estar com crianças”.

06 de março de 2005 às 00:00
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“Ele é mansinho e não atacou a matar, porque se quisesse tinha-o feito”, disse ontem ao CM Bruno Monteiro, de 22 anos, adiantando que o cão, de nome ‘Staff’, com ano e meio de idade, “foi sempre tratado como um filho”. O súbito ataque é justificado pelo jovem com a reacção da criança ao ser cheirada pelo animal.

A menina, Bianca, que é filha da empregada doméstica, foi atacada na face pelo cão que lhe arrancou um pedaço da bochecha. A namorada de Bruno Monteiro, Andreia Luís, de 17 anos, acudiu de imediato à menina, tendo também ela sido ferida, embora com menos gravidade.

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A menina e a jovem foram transportadas em ambulâncias dos Bombeiros de Porto de Mós para o Centro de Saúde e depois para o Hospital de Santo André, em Leiria.

Depois de assistida, a jovem regressou a casa, mas a menina foi ainda transferida para o Hospital Pediátrico de Coimbra, onde foi sujeita a uma intervenção cirúrgica que consistiu no implante na face de pele retirada de um braço. A menina regressou a casa ainda na sexta-feira e está a recuperar.

Segundo a mãe, que recusou prestar declarações, Bianca “está óptima e não corre perigo de vida”. “O cão não atacou para a matar, mas assustou-se quando a viu”.

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Andreia Luís acha que “foi azar, pois o cão foi cheirar a Bianca para a conhecer. O ‘Staff’ nunca tinha visto a Bianca e eu avisei-a para não entrar no quarto”.

O animal está em quarentena, no canil municipal.

VIU UM ESTRANHO NA MATILHA

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Os cães das raças ‘pitbull’ e ‘rotweiller’ são animais que têm “carácter” e um instinto muito apurado de “defesa do território”, o que poderá justificar o súbito ataque ocorrido na passada sexta-feira, em Porto de Mós.

Segundo o capitão Costa Pinto, comandante da Companhia Cinotécnica da GNR, os cães da raça ‘pitbull’ são “territoriais, têm carácter e é preciso saber lidar com eles”.

Para estes animais, a família onde estão inseridos é entendida como a sua matilha e qualquer pessoa estranha à matilha é vista com desconfiança. Por isso, “o cão assumiu que a menina era uma estranha no território da matilha e sentiu-se ameaçado”.

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Ao atacar, agiu “em conformidade com a sua natureza, mordendo como se a vítima fosse noutro cão”, explicou aquele responsável, adiantando que “se tivesse algum treino, iria morder num braço ou perna”.

Na opinião do capitão Costa Pinto, os animais desta raça são “cães de moda e os donos nem sempre sabem lidar com eles”.

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