“O nosso laboratório é dos melhores da Europa”
Prof. Alberto Ralha, Fundador do Laboratório de Polícia Científica
Correio da Manhã – De onde surgiu a ideia de criar, em 1957, o Laboratório de Polícia Científica (LPC) na estrutura da Polícia Judiciária?
Prof. Alberto Ralha – Havia um novo edifício para a Polícia Judiciária [na rua Gomes Freire, em Lisboa] e nova legislação que criava o Laboratório. O ministro [da Justiça] Antunes Varela convidou-me para dirigi-lo e eu aceitei. Nessa altura viajei até Wiesbaden, na Alemanha, para visitar o laboratório da polícia alemã, que era o melhor da Europa. Com o que conheci e com o trabalho que se fez conseguimos tornar o nosso LPC um dos melhores a nível europeu.
– Como foram os primeiros anos do LPC?
– Muito interessantes, mas muito trabalhosos. Éramos cerca de 20 pessoas, muitos universitários, que mais tarde fizeram carreira na área da investigação forense.
– Recorda-se de alguns dos casos mais emblemáticos dessa época?
– Lembro-me de tantos que é complicado referir apenas um ou dois. Mas foram suficientes para publicar um livro sobre o assunto.
– Que diferenças encontra entre o LPC dos anos 50 e 60 e o LPC dos dias de hoje?
– Houve uma evolução muito grande em termos tecnológicos. Agora há novas máquinas e, principalmente, novas técnicas. Lembro-me que na altura fomos um dos primeiros a ter um espectofotómetro de infravermelhos [aparelho que permite identificar substâncias]. Custou 500 contos [2500 euros], uma fortuna na época.
– Como encara a homenagem que lhe será feita hoje pelo Ministério da Justiça, no âmbito do 63.º aniversário da Polícia Judiciária?
– Naturalmente, fico grato pelo reconhecimento do meu trabalho. Mas, se me perguntassem se a deviam fazer eu diria que não era preciso.
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