Obras na ria Formosa matam bivalves
Viveiristas denunciam dragagens em curso.
Era uma das obras mais esperadas dos últimos 20 anos na ria Formosa mas "está a matar a vida marinha". As queixas de viveiristas centram-se na falta de cuidado nas dragagens – iniciadas em meados de julho –, que estão a sugar areias das zonas protegidas do parque natural, desde o cais comercial de Faro até à barra da ilha do Farol.
"Estão a acabar com a vida marinha nesta zona da ria", começa por afirmar Manuel da Paz, 69 anos, ex-presidente da cooperativa de viveiristas Formosa. O também viveirista, com décadas de experiência, revela que as dragagens que estão a ser feitas entre o cais comercial de Faro e a ilha do Farol deveriam ter sido mais localizadas e não "sugar tudo a eito por onde passam".
As máquinas "têm um poder de sucção enorme e levam tudo. Canilhas, búzios, lingueirões... e mesmo a vida marinha que não se come, como cavalos marinhos, está tudo a desaparecer", lamenta.
Apesar de reconhecer que é uma obra importante, Manuel da Paz receia que a "maternidade da ria Formosa" demore dezenas de anos a recuperar.
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