Oficial de justiça acusado de tráfico de armas em silêncio no tribunal
António Cascalheira, 61 anos, julgado no Campus de Justiça, em Lisboa. Segundo acusado hospitalizado.
António Cascalheira, o oficial de justiça de 61 anos acusado pelo Ministério Público (MP) de tráfico de armas, iniciou hoje o julgamento, no Campus de Justiça, em Lisboa, remetido ao silêncio. Já Henrique Quaresma, segundo arguido acusado pelo mesmo crime, que tem um problema cardíaco, teve de ser hospitalizado na manhã desta terça-feira.
O MP deduziu a acusação contra os dois homens no início deste ano. A investigação, da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, durou quatro anos (2021-2025). Os agentes, refere o despacho, encontraram prova de que António Cascalheira meteu uma licença sem vencimento do tribunal de Almada, onde exercia funções, para se dedicar ao negócio do armamento. Para o efeito, aproveitou-se da isenção de título de posse de arma que está inerente à sua função, e adquiriu, em pelo menos quatro armeiros da Grande Lisboa, milhares de munições para armas de fogo dos calibre 6,35 mm, 7,65 mm, e 9 mm (das forças de segurança). O objetivo, acredita o MP, era depois revender o material, mediante as melhores ofertas.
Na primeira sessão de julgamento, e em face do silêncio do principal arguido, e da ausência por doença do outro, os juízes dedicaram-se a ouvir os investigadores da PSP. Pedro Pestana, advogado de Henrique Quaresma, disse ao CM confiar "não haver prova que incrimine" o seu cliente por tráfico de armas. "Ele assume uma amizade com o arguido principal e foi no âmbito da mesma que os dois se deslocaram três vezes a armeiros. O meu cliente nada comprou", concluiu.
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