Padre dedica vida inteira a ajudar os pescadores

A paróquia de Peniche é dirigida há 50 anos pelo monsenhor Manuel Bastos. Meio século dedicado ao apoio social à comunidade, consolidando um património que engloba jardins-de-infância, creches, um clube recreativo e um jornal quinzenal, e envolve 80 funcionários.

07 de março de 2007 às 00:00
Padre dedica vida inteira a ajudar os pescadores Foto: Francisco Gomes
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E o pároco, que já foi distinguido com vários galardões municipais, tem novos projectos – apesar dos seus 84 anos –, entre os quais a construção de um lar moderno para acolher idosos dependentes.

Quando monsenhor Manuel Bastos chegou a Peniche, em 1947, desconhecia a realidade que iria encontrar na terra, onde “se vive a fé de maneira diferente, como é comum nas populações que estão à beira-mar”.

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“Só tinha ido uma vez à localidade, integrado num coro do seminário. Tive de me inteirar dos problemas da pesca e da comunidade dela dependente, no sentido de estar atento e desenvolver a minha acção pastoral”, explica o pároco.

“Antes não havia porto de pesca e quando começou a ser construído, todos acharam bem que houvesse um capelão para dar seguimento ao apostolado do mar da Santa Sé”, lembra. “Fui a um congresso mundial do apostolado em Liverpool e fui nomeado capelão do porto de pesca” de Peniche, pelo que foi criada uma capelania.

Entretanto, surgiu a ideia de fundar o clube ‘Stella Maris’, para desenvolver actividades recreativas e desportivas de ocupação da população de Peniche e onde também se presta assistência espiritual. Mas, o Lar de Santa Maria, fundado há 50 anos pelo monsenhor Manuel Bastos, é a obra emblemática da paróquia e acolhe 80 utentes. “Eu não gostava de lares, a não ser como complemento da família, mas era um mal necessário, devido à pobreza e à solidão”, lembra.

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Hoje, diz, o lar não dá solução quando se trata de internar pessoas com dependência. “Ou nós ou outra entidade tem de fazer um novo”, acrescenta. A paróquia já tem um terreno para a obra.

É sua intenção também aproveitar as instalações que ficarem devolutas para criar uma valência única para a infância, reunindo os diversos jardins-de-infância e creches espalhados pela cidade.

LAR INÉDITO CAUSOU POLÉMICA

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A Paróquia de Peniche é detentora de um vasto património religioso, englobando três igrejas paroquiais, duas capelas e um santuário. A função social da paróquia ao longo dos anos levou-a a assumir a propriedade de um lar, dois jardins-de-infância, duas creches, uma oficina de rendas artesanais, um clube recreativo e desportivo, um pavilhão polivalente e um espaço ocupacional. É ainda detentora de um jornal quinzenal. As actividades da paróquia dão emprego a 80 pessoas.

Quanto ao lar, na altura não foi bem aceite, porque não havia experiências do género. “O lar custou cinco mil contos e foi comparticipado pela Fundação Calouste Gulbenkian em 70 por cento, o que nos facilitou imenso. Os 30 por cento que couberam à paróquia foram suportados por mestres de embarcações de pesca”, explicou o pároco.

Monsenhor Manuel Bastos Rodrigues de Sousa, 84 anos, é natural de Matadussos, Esgueira, em Aveiro. Entrou com 13 anos no seminário de Santarém e depois em Almada. Foi ordenado pároco no seminário dos Olivais, em 1947, ano em que passou a ser sacerdote em Peniche.

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Na década de 80, a Santa Sé concedeu-lhe o título de ‘monsenhor’. Foi distinguido com várias medalhas municipais e tem o seu nome numa das principais avenidas de Peniche.

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