Padre e irmãs religiosas acusados de escravidão

Arguidos geriam uma organização religiosa de Vila Nova de Famalicão.

28 de maio de 2019 às 17:46
Tribunal, justiça Foto: Direitos Reservados
Tribunal xxx Foto: Getty Images

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Três mulheres e um homem foram acusados pelo Ministério Público de Guimarães por nove crimes de escravidão. Os arguidos, um padre de 87 anos e três irmãs, com mais de 70 anos, geriam uma organização religiosa de Vila Nova de Famalicão, a Fraternidade Missionária de Cristo-Jovem.

De acordo com um comunicado divulgada na página oficial da Procuradoria Geral Distrital do Porto, "o arguido e as arguidas estavam à frente dos destinos da arguida pessoa colectiva, pessoa jurídica canónica com sede em Vila Nova de Famalicão, constituída como IPSS sob a forma de Instituto de Organização Religiosa desde 1985".

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A mesma fonte avança que os quatro arguidos, desde dezembro de 1985 até 2015, recrutarem jovens raparigas "de raízes humildes, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas" e acolheram-nas na instituição com o intuito de "formarem uma comunidade espiritual de raiz católica e de satisfazerem os anseios daquelas de seguirem uma vida religiosa".

Os quatro suspeitos são agora acusados pelo Ministério Público de usarem as raparigas "para desempenhar todas as tarefas diárias exigidas para a conservação e manutenção das instalações da instituição e continuação da sua actividade, sem qualquer contrapartida dada às jovens e mediante sujeição destas a um clima de terror que as mantinha em regime de total submissão, sem possibilidade de reacção".

O mesmo comunicado refere que as jovens era obrigadas a fazer horários de trabalho "que chegavam a atingir vinte horas". Os suspeitos castigavam as vítimas com "castigos físicos como bofetadas e pancadas no corpo com objetos" caso não fizessem o trabalho ou o fizessem mal feito.

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As quatro pessoas são ainda acusadas de insultar as raparigas e castigá-las "privação de alimentação e de banho". As jovens era ainda obrigadas a "dormir no chão", privadas "de contactos com familiares e até da documentação pessoal" e todos os outros contactos que mantinham com o exterior era controlados.

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