Partiu pulseira e andou fugido
Um jovem de 19 anos, detido em Março pela GNR por suspeita de vários assaltos com ameaça de faca ocorridos no início do ano no concelho de Sintra, andou cinco meses a monte após, em Maio, ter ‘rebentado’ a pulseira electrónica com que o tribunal o mandou ficar em prisão domiciliária.
Fugiu e esteve em parte incerta até que foi capturado sexta-feira à noite no Bairro Alto, em Lisboa, onde andava ‘nos copos’ com amigos. É suspeito de ter praticado uma violação enquanto esteve em fuga.
Segundo apurou o CM junto de fonte policial, o jovem – residente em Rio de Mouro, Sintra – havia sido detido a 15 de Março, com três outros suspeitos, por suspeita de roubos violentos com recurso a facas. Os quatro suspeitos foram postos em prisão preventiva na cadeia de Caxias.
A medida de coacção foi revista em Maio e o juiz mandou o jovem aguardar o julgamento em prisão domiciliária com pulseira electrónica.
O jovem de 19 anos esteve apenas dez dias em casa. Rebentou a pulseira e fugiu. Quando o alerta foi dado, já o suspeito ia longe.
O Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Sintra – já munido de mandados de detenção – montou apertada vigilância em dois locais: a casa de um tio do suspeito, na Cova da Moura, e o apartamento de uns amigos, no Bairro Alto. Nos últimos cinco meses, as investigações não tiveram qualquer resultado.
Sexta-feira à noite, numa rua do Bairro Alto, uma patrulha da PSP identificou o jovem quando ele andava a “divertir-se nos ‘copos’ com uns amigos”, referiu fonte policial. Com ele tinha um telemóvel que se julga ter sido roubado e entretanto é suspeito de uma violação.
Foi chamado o NIC da GNR de Sintra, que deteve o indivíduo e o apresentou a tribunal. Agora está novamente em prisão preventiva.
GOVERNO ALARGA VIGILÂNCIA ELECTRÓNICA
Tem quatro anos o programa de pulseiras electrónicas em Portugal, embora apenas em Maio tenha terminado o período experimental. Apesar de não ser totalmente eficaz, houve pelo menos 15 casos de fuga e de continuação da actividade criminosa, o objectivo do Governo é alargar o universo de utilizadores da pulseira, aplicando-a também a reclusos em cumprimento de pena de prisão.
No início deste mês, eram 391 os arguidos sujeitos a este tipo de vigilância electrónica, aplicado como alternativa ao regime de prisão preventiva. A separação entre agressor e vítima nos casos de violência doméstica é um dos objectivos do alargamento do âmbito de aplicação das pulseiras electrónicas. Esta semana, o ministro da Justiça, Alberto Costa, revelou que o Governo quer alargar o uso da pulseira electrónica a 1200 arguidos, medida que permitirá poupar dez milhões de euros anuais, ao reduzir o número de detidos em estabelecimentos prisionais.
No entanto, e apesar das vantagens que oferece, a pulseira electrónica está longe de ser um método efectivo de segurança. Uma das maiores falhas aconteceu em Outubro do ano passado, quando um cidadão brasileiro colocado sob vigilância electrónica conseguiu voar para o Ceará. Detido em Janeiro de 2004, numa das maiores operações de combate à falsificação de cartões de débito, André Richeli limitou-se a cortar a pulseira e a apanhar um avião.
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