Passos Coelho vai explicar recusa de ajuda a Ricardo Salgado no caso BES/GES

Litigância de José Sócrates trava o andamento do processo, o que poderá levar à prescrição dos crimes em 2024.

30 de junho de 2022 às 01:30
Antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho Foto: Tiago Sousa Dias
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O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho é interrogado esta quinta-feira pelo juiz Ivo Rosa na instrução do processo principal da queda do BES/GES. O chefe do Governo à data da resolução do BES, no verão de 2014, foi arrolado como testemunha de defesa por Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) e o principal arguido no processo.

Passos será confrontado com o pedido de ajuda de Salgado que recusou, em maio de 2014, para salvar o BES. Em causa estava um empréstimo de dois mil milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos para fazer face à tesouraria do banco. A audição de Passos Coelho, à porta fechada, está marcada para as 14h00 no Campus de Justiça, em Lisboa.

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Antes de ouvir Passos, o juiz de instrução vai inquirir o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, que também foi chamado a testemunhar por Ricardo Salgado. Entretanto, sabe o CM, a defesa do ex-patrão do BES prescindiu do depoimento do ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa, que também iria prestar declarações na mesma sessão. Ricardo Salgado, de 77 anos, está acusado de 65 crimes, entre os quais burla qualificada e corrupção ativa no setor privado. O Ministério Público diz que o ex-banqueiro terá transformado o BES e GES numa espécie de castelo de cartas suportado por subornos e operações fraudulentas.

ex-patrão do bes nega a prática de crimes

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Salgado tem negado a prática de qualquer crime e apontado a resolução do banco como a causa da queda do banco, o que também justificará a indicação de Passos Coelho como testemunha.

instrução do caso arrancou em abril

A instrução do processo principal do BES/GES começou a 26 de abril e é expectável que se prolongue por vários meses. Só no final se saberá quem vai, ou não, a julgamento.

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oito meses para fechar a instrução

O Conselho Superior da Magistratura deu ao juiz Ivo Rosa um prazo de oito meses para terminar a fase de instrução do caso (até janeiro). Ivo está em exclusividade com os casos ‘BES’ e ‘Máfia do Sangue’.

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