Patroa homicida usa perfil falso para vigiar ama antes de a matar
Ministério Público acusa Ilderlane de ter assassinado Lucinete com um bloco de cimento, na Amadora.
Quando Lucinete Freitas começou a trabalhar no apartamento de Hélder e Ilderlane Ferreira, em meados do ano passado na Amadora, como ama de um bebé com menos de um ano, apanhou um casal desavindo em processo de separação. As discussões eram frequentes, com Lucinete a estabelecer mais confiança com Hélder, o que despoletou desde logo ciúmes em Ilderlane. A ama acabou assassinada com quatro pancadas na cabeça dadas com um bloco de cimento de 25 quilos. Ilderlane foi esta segunda-feira acusada pelo Ministério Público por quatro crimes: homicídio qualificado, detenção de arma proibida, profanação de cadáver e falsidade informática. Este último crime deriva do facto de Ilderlane ter criado um perfil falso no ‘Whatsaap’ para conseguir ter acesso ao que a sua empregada dizia sobre si. Segundo a procuradora do MP “a arguida, visando obter informações sobre o que a vítima pensava e dizia a terceiros sobre si adquiriu um cartão ‘sim’ pré-pago e criou um perfil falso com o nome correspondente a uma pessoa amiga de Lucinete Freitas. Fazendo-se passar pela amiga, a arguida estabeleceu conversações com a vítima, nas quais veio a aperceber-se que esta tecia comentários que considerava serem negativos sobre si”. E acrescenta a magistrada: “movida pelo desejo de vingança, a arguida elaborou um plano que visou afastar a vítima do seu seio familiar, formulando então o propósito de lhe tirar a vida”.
O crime ocorreu no dia 5 de dezembro. Lucinete pelas 18h00 quando se preparava para sair da casa da patroa após um dia de trabalho foi confrontada por Ilderlane, que deixou o bebé em casa de uma amiga. Lucinete foi levada para um local ermo. Na bagageira de um carro alugado, a homicida levava uma faca de cozinha com a qual ameaçou Lucinete. Numa luta entre as duas mulheres, Lucinete acabou por ser espancada com o bloco de cimento. O cadáver só foi encontrado no dia 12. A patroa acabou detida poucos dias depois, estando desde essa altura presa preventivamente na cadeia feminina de Tires.
Lucinete deixou marido e um filho de 14 anos, que estavam a planear vir para Portugal. Segundo o MP ainda não foi requerida indemnização, mas a procuradora pede “que seja arbitrada indemnização aos legais herdeiros da vítima”.
Pedro Pestana, advogado de Ilderlane entende que o resultado da perícia psiquiátrica devia ter sido tido em conta na acusação. “A procuradora deduziu acusação sem aguardar os resultados da perícia psiquiátrica, requerida pela defesa da arguida. Não a critico, porque sei que tem prazos a cumprir. Contudo, muito sinceramente, tenho a convicção que o resultado da perícia vai constatar os efeitos da depressão pós-parto e das ideações delirantes que afetaram a minha cliente”, disse o advogado ao nosso jornal.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt