Pedalar 2300 quilómetros em homenagem ao pai

Percorrer, de bicicleta, quase 2300 quilómetros, entre Paris e Faro, com passagem por Fátima, para acender uma vela, e pelo cemitério de Alte, onde está sepultado o pai, foi a grande aventura do luso-francês Luís Filipe Belchior Guerreiro, iniciada em 29 de Julho e concluída ontem.

10 de agosto de 2006 às 00:00
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Foram 12 dias de muito sacrifício, com etapas diárias de cerca de 180 quilómetros, a pedalar das 08h00 às 20h00, apenas com uma hora de descanso para almoçar. O filho de emigrantes escolheu esta forma de homenagear o pai, Silvino Palma Guerreiro, falecido em 27 de Março de 2005, aos 60 anos, com um cancro no fígado.

“Agora já posso dizer que completei o luto e fiz a despedida que o meu pai merecia”, afirmou ao CM, à porta do cemitério de Alte, onde colocou um ramo de flores na campa rasa, antes de seguir para a última etapa, rumo à Sé de Faro, onde rezou em memória do pai.

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Para trás ficou uma dúzia de dias difíceis, sempre acompanhado por uma carrinha de apoio onde seguiam a namorada Irene e o irmão David. Apesar dessa precaução, o ciclista ouviu muitas buzinadelas de motoristas de pesados impacientes. “Mas também recebi muitas palmas de apoio, várias ajudas financeiras e dormidas gratuitas que atenuaram os cerca de 2000 euros gastos”, conta Luís Guerreiro.

Atravessar os Pirenéus, com muito frio e enormes subidas, bem como depois o calor em Portugal foram os grandes adversários de uma aventura que começou mal. “Ao segundo dia caí nas escadas do hotel, lesionei--me nos tendões de uma perna, mas a força de vontade era tanta que cheguei”, disse este aventureiro, que agora vai aproveitar as férias para recompor forças junto da família.

“O regresso vai ser mais agradável”, diz Luís Filipe e esclarece: “Voltamos a 25 de Agosto, numa carrinha, onde é mais fácil efectuar subidas”, diz com um sorriso de quem acabou de cumprir, com muita fé, uma missão que se propusera. Uma homenagem ao pai, pouco vulgar, mas com muito simbolismo.

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CICLOTURISMO, A PRIMEIRA PAIXÃO

Luís Filipe Belchior Guerreiro é um dos muitos emigrantes que, todos os domingos, se juntam aos franceses e a emigrantes de outros países, pegam nas suas bicicletas e vão para a estrada.

“Fazemos cerca de uma centena de quilómetros nesses nossos convívios que terminam sempre com uma animada almoçarada”, confessa o luso-descendente, que alinha no Les Cyclos D’ Ennery, uma colectividade de amantes do ciclismo amador. Sempre que possível participam em provas de cicloturismo, “para confirmarmos as nossas potencialidades”, explica.

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Um honroso 161.º lugar, entre 350 concorrentes, no recente Bordéus/Paris deixou-o satisfeito e foi óptima preparação para esta aventura de 2300 quilómetros, por estradas de França, Espanha e Portugal. “Fiz os 638 quilómetros que separam as cidades de Bordéus e Paris em 57 horas”, afirma orgulhoso, por ter deixado muitos adversários para trás. Agora, após um mês de descanso, promete voltar à estrada e à sua grande paixão: o cicloturismo.

Luís Filipe Belchior Guerreiro, de 34 anos, é luso-francês.

Nasceu em Confranis Saintes Honorines, no departamento 78 (Versalhes), nos arredores de Paris. Perito de seguros, mora na capital francesa e namora com Irene Gonçalves, uma jovem portuguesa emigrada em França. Nos tempos livres pratica cicloturismo no clube Les Cyclos D’Ennery. Amador, ombreia com praticantes experientes, como na recente prova Bordéus-Paris.

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