Pedras esmagam dois operários
Um deslizamento de terras e pedregulhos provocou ontem a morte a dois operários numa pedreira em Arcozelo, Ponte de Lima. Foi uma tarde que se revelou particularmente trágica em acidentes de trabalho no Norte do País, em que mais dois homens morreram em obras nos concelhos de Baião e Torre de Moncorvo.
Por volta das 15h00, Amândio Ribeiro estava a trabalhar na pedreira da empresa José Gonçalves, em Arcozelo, quando viu o irmão Manuel e o colega Armindo serem esmagados por um "inexplicável deslizamento de pedregulhos e terras", que feriu outros cinco operários. "A retroescavadora estava parada e não foram usados explosivos", garantiu.
Apesar das tentativas de reanimação de bombeiros e INEM, odelegado de saúde confirmou os óbitos de Manuel Ribeiro (de 55 anos e residente em Arcozelo) e Armindo Pereira (de 53 anos e residente em Moreira do Lima).
Pela mesma hora, António Cortinhas, de 51 anos, morreu ao cair da obra de uma casa em Urrais, Torre de Moncorvo (Bragança).
Já perto das 16h30, outro operário morreu numa obra de colocação de tubos de saneamento em Santa Cruz do Douro, Baião. Augusto Barbosa, de 50 anos e natural do Torrão, Marco de Canaveses, estava a manobrar uma máquina, que se descontrolou e deslizou ao longo de cinco metros.
SETE MORTOS EM TRÊS DIAS
"É terrível. Em três dias, temos já sete mortos em acidentes de trabalho", lamenta Luís Castro, da Associação para as Condições do Trabalho (ACT), fazendo também alusão ao desabamento de um prédio devoluto em Braga, que vitimou três operários. "Há muito trabalho a fazer em Portugal em termos de sensibilização e prevenção para a segurança no trabalho", disse. AACT tem em curso inquéritos para apurar causas e responsabilidades dos acidentes, para posterior participação ao Ministério Público.
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