Perdoa em tribunal mulher acusada por tentar matá-lo à facada
Neuza Albino, de 31 anos, começou a ser julgada no tribunal de Loures. Marido, por si esfaqueado, quer que a arguida volte para casa.
Uma mulher, de 31 anos, começou esta terça-feira a ser julgada, no tribunal de Loures, pelo homicídio qualificado, tentado, do próprio marido. A vítima, no entanto, compareceu na primeira sessão de julgamento para desculpabilizar a agressora, considerando que ela reagiu a uma tentativa de violação da sua parte. E admitiu, mesmo, que quer que ela regresse a casa.
O crime em julgamento ocorreu a 6 de abril de 2025, no quarto em que o casal residia, em São João da Talha. O marido de Neuza Albino, a arguida, regressou a casa completamente embriagado, como a própria acusação admite. Quis forçar a companheira a relações sexuais, e a situação depressa descambou em violência. A testemunha, um pedreiro são-tomense que reside em Portugal há 4 anos, recordou que se deitou na cama onde a arguida já se encontrava. Disse tê-la abraçado, afirmando que queria ter sexo. Neuza Albino recusou, mas o marido insistiu.
Foi então que a arguida pegou numa faca de cozinha, e com ela golpeou o marido várias vezes. O agredido explicou que só percebeu ter sido agredido, quando sentiu o sangue a escorrer. Mesmo assim, acrescentou, a arguida foi buscar um pano, e ajudou-o a estancar o sangue, pedindo ainda ajuda a vizinhos.
Acusada de homicídio qualificado, na forma tentada, Neuza Albino está em prisão preventiva. Incorre numa pena entre os 2 anos e 4 meses, e os 16 anos e 8 meses de prisão, e em expulsão do país. O marido diz não querer que tal aconteça.
Pedro Pestana, advogado de Neuza Albino, reconheceu que "a própria vítima reconheceu que chegou em casa embriagado e obcecado para ter sexo com a mulher". "Nada teria acontecido se o companheiro tivesse respeitado a mulher. O não é não, e tem de ser respeitado", concluiu.
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