Pescadores levam queixas a Bruxelas
Uma centena de pescadores, mariscadores e viveiristas aprovou ontem em Olhão uma moção a ser enviada para Bruxelas, com críticas à forma “descuidada” como o Governo e a União Europeia têm tratado os problemas do sector.
A decisão foi tomada durante uma reunião promovida pela Comissão Política da Secção de Olhão do PSD, com a presença do eurodeputado ‘laranja’, Duarte Freitas.
A falta de investimento, a perseguição da autoridade marítima aos pescadores, a mortandade dos bivalves, o aumento dos combustíveis e as lotas paralelas responsáveis pelo baixo preço do pescado são as principais queixas que o eurodeputado transmitirá em Bruxelas.
Josué Marques, do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul, um dos intervenientes no debate, foi o ‘porta-voz’ do descontentamento. “O sector está cada vez mais débil economicamente e a necessitar de mais apoios”, afirmou o dirigente sindical, que se queixou da venda “velha, obsoleta e caduca que se pratica nas lotas, onde o preço médio do pescado é igual a 2001, quando o gasóleo aumenta diariamente”.
António da Branca, da Associação dos Armadores de Pesca, salientou a compra de metade da frota algarvia pelos espanhóis, “porque conseguem rentabilizar aquilo que nós deitamos fora”.
Queixas reiteradas por Vítor Lourenço, da Associação de Viveiristas e Mariscadores da Ria Formosa, que salientou “a miséria que grassa nas casas dos profissionais da pesca”.
UNIÃO
O eurodeputado ‘laranja’ apelou à necessidade de formação de uma Federação de Pescadores. “Bruxelas só ouve queixas de pessoas associadas”, referiu Duarte Freitas.
POLUIÇÃO
A mortandade dos bivalves na Ria Formosa continua a merecer críticas. “Um emissário submarino, reclamado desde 1996, acabaria com o problema”, disse Josué Marques.
CRISE
Entre 2002 e 2005 foram abatidas 40 embarcações na região, 18 das quais em Olhão. A decisão foi responsável pela perda de 89 postos de trabalho, dos quais 41 em Olhão.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt