PJ investiga Faculdade de Letras
A PJ está a investigar eventuais crimes de favorecimento pessoal na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no acesso aos cursos de formação profissional contínua dos professores, estando indiciada uma funcionária administrativa.
Os casos terão prejudicado vários docentes, aparentemente preteridos por outros menores em condições de frequência dos cursos, mas a quem uma funcionária ajudava por meios fraudulentos, o que motivou denúncias anónimas na PJ do Porto.
Para se ter uma ideia da gravidade das fraudes, basta dizer que as acções de formação dão créditos aos professores, pelo que, além de aumentarem as remunerações, ficam em melhores condições para os concursos anuais nas colocações.
Os cursos, todos ministrados na Faculdade de Letras da Universidade do Porto – financiados pelo PRODEP –, tiveram grande adesão de professores, mas muitos ficaram de fora. As suspeitas adensaram-se, por alguns docentes conhecerem bem os currículos dos colegas.
Uma funcionária administrativa, que numa primeira fase começaria a favorecer professores seus amigos, a dada altura passou a beneficiar uns, em detrimento de outros, a ponto de para ingressar nos cursos ser quase obrigatório conhecer a funcionária.
A investigação criminal da PJ do Porto visa apurar se a funcionária actuaria sozinha ou dispunha da colaboração de colegas e até pessoal docente.
Rui Centeno, o ex-presidente da Faculdade de Letras, já denunciara à PJ um caso anterior, que então envolvia outra funcionária, mas foi depois arquivado por falta de provas. Desta vez, a investigação teve origem em denúncias anónimas.
O professor está ligado ao ensino de jornalismo e tem-se disponibilizado para a PJ dispor de todos os elementos que conduzam ao êxito da investigação. Foram ouvidos pela PJ dois outros antigos presidentes da faculdade, assim como uma das docentes ligadas aos cursos para formação contínua. Os seus depoimentos terão aclarado as circunstâncias em que se podiam verificar os favorecimentos, sem levantarem suspeitas à partida.
A PJ do Porto não quis comentar as suas investigações.
AS AUDIÇÕES NA POLÍCIA JUDICIÁRIA DO PORTO
RUI CENTENO
Rui Centeno, que à data dos factos era presidente daquela faculdade do Porto, foi dos primeiros a serem ouvidos pela Polícia Judiciária e deu um contributo, considerado muito decisivo, para que a PJ prosseguisse as investigações à funcionária sob as suspeitas de crime por favorecimento.
TESTEMUNHOS
A PJ do Porto tem inquirido diversas testemunhas, das quais se destacam colegas de Isabel, funcionária que é suspeita de estar na base dos actos de favorecimento.
A maioria referiu desconhecer que tipo de método a colega usava nas inscrições para a batota nos cursos.
INSPECTORES
Os inspectores que estão a tratar deste caso pertencem ao mesmo sector que investigou o ‘Apito Dourado’ na PJ do Porto, mas sob liderança de um coordenador, Narciso Figueiroa, o mais experiente no combate aos casos de criminalidade de colarinho branco na PJ do Porto.
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