Polícia Judiciária investiga suspeito de terrorismo
Magrebino roubou jipe em Lisboa e rumava a Paris mas foi barrado na A1 pela geolocalização.
O crime era instrumental, de quem queria fazer Lisboa-Paris em estilo e comodidade. Longe dos transportes públicos. Foi por isso que o magrebino roubou, a 14 de setembro, um jipe Land Rover por carjacking, numa rua da capital portuguesa. Mas assim que arrancou colocou o destino da viagem no GPS, o que permitiu ao dono da viatura localizar a mesma e dar as coordenadas do trajeto à PSP, que parou o assaltante na A1, na zona de Abrantes, quando seguia a caminho de França.
A partir daí foi só levar o assaltante para Lisboa, devolver o jipe ao dono e estava feita a prova pelo crime de roubo – violento, embora sem recurso a armas –, mas aquilo que à partida parecia um processo simples e resolvido rapidamente deu origem a outras suspeitas, mais graves e complexas, de ligações ao extremismo islâmico – tendo sido rapidamente chamada a investigar a Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ.
Isto porque o assaltante, no interrogatório do dia seguinte, apenas deu ao juiz o nome. E nada mais disse. Recusou-se a dar quaisquer explicações sobre a sua vida, sobre os motivos da estadia em Portugal, ou de ter Paris como destino, o percurso na Europa, ou o porquê do roubo. Nada. O que desde logo despertou as piores suspeitas. E estas foram agravadas ao avançar a investigação da PJ.
Sabe-se que o magrebino viveu em Bruxelas, cidade belga com forte implantação de radicais islâmicos ligados ao terrorismo do daesh, de onde saíram os operacionais para atentados em Paris; e quando lá estava fez transferências através da Western Union para Portugal, onde indicou o hotel Tivoli, em Lisboa, como o local de estadia no nosso país – o que se revelou falso. Todo o rasto deixado pelo suspeito na Europa está a ser passado à lupa pela PJ, em articulação com as congéneres internacionais. Está na prisão de alta segurança de Monsanto.
Monsanto como prevenção
Os serviços prisionais optaram desde logo por colocar o magrebino na cadeia de alta segurança de Monsanto, apesar de formalmente estar ‘apenas’ indiciado, para já, pelo crime de roubo sem recurso a armas. Se entretanto mais nada for apurado é por esse crime que responderá.
Vizinho de recrutador
Por Monsanto passaram, ou ainda lá estão, outros suspeitos – formais – de terrorismo internacional, como é o caso do marroquino Abdessalam Tazi, que chegou a Lisboa como refugiado e terá tentado recrutar outros homens para a causa do Daesh.
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