POLÍCIA FAZ ABORTAR PLANOS PARA FUGA

A correcta cooperação entre a PSP, os Serviços Prisionais e o Tribunal fez abortar a preparação de uma fuga para o estrangeiro de três indivíduos, todos com processos por tráfico de droga, dois dos quais estavam em prisão preventiva na cadeia do Montijo, segundo fonte policial.

05 de março de 2003 às 01:18
POLÍCIA FAZ ABORTAR PLANOS PARA FUGA Foto: Manuel Moreira
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Um outro, em liberdade, e um dos presos em preventiva tinham, aliás, julgamento marcado para sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, no Tribunal do Barreiro, onde acabaram por ser condenados por tráfico.

O caso foi descoberto na terça-feira à tarde, dia 25, quando a Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da Divisão da PSP do Barreiro vigiava um indivíduo, arguido num processo por tráfico de droga, mas que aguardava o julgamento em liberdade.

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O indivíduo era também considerado “violento”, tanto mais que recentemente agredira um outro e entrara pela casa dentro de uma mulher, onde a vítima procurara refúgio. E quando a PSP chegou ainda tentou atropelar um agente durante a fuga, facto também que seguiu a via judicial, além de uma suspeita de violação. As vigilâncias da EIC encontravam assim justificação na conduta do arguido e suspeito e na terça--feira à tarde o cruzamento de informações fez a PSP chegar a fortes suspeitas da preparação de uma fuga para França.

As suspeitas envolviam o arguido que esperava o julgamento em liberdade, o preso em preventiva na cadeia do Montijo no âmbito do mesmo processo e um outro preso em preventiva na mesma cadeia, também por tráfico. O primeiro e o último indivíduos pareciam, no entanto, ser os mais importantes na preparação da fuga, muito embora a polícia não dispusesse de quaisquer pormenores sobre o método a usar, embora o destino fosse a França e depois, talvez, Cabo Verde, tendo em conta a origem dos três indivíduos.

Ainda na terça-feira antes das 18h00, a PSP do Barreiro contactou telefonicamente e depois pessoalmente a direcção da cadeia do Montijo, que tomou medidas de segurança sobre os dois ‘preventivos’ e ficou decidido que na quarta-feira um deles seria transferido para outra cadeia. O outro seria mantido no Montijo dado o julgamento na sexta-feira.

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Na noite de terça-feira e madrugada do dia seguinte, elementos da EIC do Barreiro percorreram vários locais mantendo sob vigilância o arguido que se encontrava em liberdade, uma vez que se era praticamente impossível a fuga do Montijo havia o receio de ser vir a ser criado um incidente para conduzir os dois ‘preventivos’ ao espaço exterior da cadeia – uma ‘doença’, por exemplo.

Na manhã de quarta-feira, entretanto, o juiz do processo passava à PSP – com base nas informações policiais – um mandado de captura do arguido, que pouco tempo depois era conduzido à cadeia do Montijo. A presença no julgamento já a fez sob prisão e fortes medidas de segurança.

SEGURANÇA REFORÇADA

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A cadeia do Montijo é um estabelecimento de reclusão regional mais virado para as prisões em regime preventivo, mas que se tornou conhecido por fugas sucessivas. Em Janeiro, por exemplo, quatro reclusos conseguiram ultrapassar a segurança da cadeia, mas se três acabaram por ser detidos ficou claro que os obstáculos a uma eventual fuga não seriam os suficientes, tal como na altura salientou José Figueiredo, presidente do Sindicato do Corpo de Guardas Prisionais.

Uma primeira medida para aumentar a segurança foi reforçar a vedação do muro que separa a cadeia da área exterior do edifício, que agora conta com filamentos metálicos cortantes de duas faces, graças à cedência com urgência de uma verba de 25 mil euros que cobriu também mais uma ou outra área.

Mas a maior lacuna parece residir na falta de guardas prisionais, questão que poderá ser suprida com as próximas incorporações, processo que está a decorrer.

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A CAMINHO DE FRANÇA

Os planos de fuga descobertos pela PSP do Barreiro tinham França como eventual destino, mas esta rota já é conhecida das autoridades policiais, em particular desde o ‘caso Pepa’, o indivíduo acusado de assassinar um agente da PSP na Damaia, Amadora, há dois anos, e que está preso em Cabo Verde à espera do julgamento.

De facto, Pepa e outros fugitivos cabo-verdianos parecem ter uma ‘predilecção’ por França, numa rota de fuga para quem busca Cabo Verde. Ao invés do voo directo a partir de Lisboa, os fugitivos optam por ir a França, de onde apanham então o avião para o Senegal e daí para Cabo Verde. É uma forma de evitar as autoridades portuguesas e uma corrida contra o tempo para contrariar os mandados de captura internacional.

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QUESTÕES LIGADAS AOS ARGUIDOS

CONDENAÇÃO

O Tribunal do Barreiro condenou os dois arguidos a oito e seis anos de cadeia, expulsão e proibição de entrar em Portugal durante dez anos. Pode haver recurso.

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SEGURANÇA

O Tribunal foi rodeado por rigorosas medidas de segurança, tendo em conta as suspeitas de fuga. Foi chamado o GISP, a unidade especial do Corpo de Guardas Prisionais.

DROGA

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No processo de tráfico de sexta-feira no Barreiro, foram ainda julgados mais quatro arguidos e dois foram condenados a seis anos e outros dois a pena suspensa.

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