Polícia Judiciária investiga rasto de 20 menores

Os pais mantêm viva a esperança de encontrarem aquele filho cujo rasto perderam um dia. Filomena Teixeira é disso exemplo. Personifica a luta incansável de uma mãe que aguarda dia após dia, ano após ano, o regresso de Rui Pedro. O filho, que viu pela última vez em 1998 será agora um jovem adulto de 19 anos.

25 de maio de 2006 às 00:00
Polícia Judiciária investiga rasto de 20 menores Foto: dr
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“O projecto da minha vida é encontrar o meu filho. Os médicos dizem-me para não pensar nisso, mas o meu cérebro está sempre lá. É como o coração que não pára de bater.”

Filomena Teixeira não está sozinha nesta batalha penosa. Tal como ela, outras mães e outros pais recordam hoje – Dia Internacional das Crianças Desaparecidas – com maior intensidade aquele momento. Uma data que Portugal assinala desde 2002, mas que acabou por cair no esquecimento, não estando prevista nenhuma iniciativa oficial para hoje.

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Apesar do alheamento das autoridades, as famílias clamam por resultados e esses estão a cargo da Brigada de Investigação e Averiguação de Desaparecidos da Polícia Judiciária.

Neste momento está em investigação o desaparecimento de 20 menores, cujo rasto se perdeu na área da Grande Lisboa já este ano. À lista somam-se os oito menores que a PJ não conseguiu encontrar em 2005.

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Além destes há seis desaparecidos que as autoridades não conseguem localizar há mais de uma década.

MOTIVOS

A maior parte dos desaparecimentos não está ligada a condutas criminosas, dependendo, sobretudo, do contexto familiar das motivações e das idades dos menores. Por exemplo, o final do ano lectivo é propício a algumas fugas relacionadas com o aproveitamento escolar.

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Alexandra Simões, do SOS Criança, sublinha que desde o início, em 2004, na linha telefónica gratuita 1410 (destinada a casos de menores desaparecidos) foram registadas 53 situações.

A psicóloga sublinha que “a maior parte das crianças são encontradas, estando os desaparecimento relacionados com fugas. “Há muitos jovens que comunicam às autoridades que não querem voltar para a família onde são vítimas de violência.”

A coordenadora em Portugal do ‘site’ europeu para crianças desaparecidas ‘Childoscope’ precisa que, das cinco situações assinaladas este ano, uma foi a de um menino colhido mortalmente por um comboio.

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Três outros casos, incluindo o de Telma, de 15 anos, que sábado passado regressou a casa, em Lisboa, já estão solucionados. “Por resolver”, sublinha, permanece o desaparecimento de Rita Slof Monteiro.

A mãe de Rui Pedro conhece muito bem esta situação. Sempre que há uma pista, uma fotografia, vai a todo o lado. “Já procurei ajuda de todas as maneiras, desde videntes a cientistas”, diz, revelando-se uma mulher corajosa, mas frágil e doente. A busca do filho já levou Filomena Teixeira a pedir ajuda na área da psiquiatria.

DOIS CASOS SEM RASTO

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A 17 de Fevereiro último, na região Norte, ocorreram dois desaparecimentos. Um deles envolveu uma bebé, então com três dias, a que os pais chamam Elisabete. A Polícia suspeita que tenha sido raptada do Hospital de Penafiel.

O segundo caso deste ano que permanece por esclarecer é o de Rita Slof Monteiro, de 18 anos. Com cabelos compridos castanhos e olhos também castanhos, morava em Leça da Palmeira. Desapareceu pelas 09h00 daquele dia. O pai, Luís Monteiro, apela a quem tenha informações sobre a filha, que sofre de esquizofrenia, para o contactar para o telemóvel número 939 721 692.

UNIÃO EUROPEIA LANÇA NÚMERO 116

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A Comissão Europeia quer criar um número de telefone único, o 116, que servirá especificamente para centralizar a informação sobre crianças desaparecidas e exploradas sexualmente.

O anúncio foi feito pelo Comissário Europeu da Segurança, Liberdade e Justiça, Franco Frattini, a propósito do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, que hoje se assinala. “Um número de telefone único permitiria aos pais, às testemunhas e às crianças o acesso rápido a um serviço de ajuda”, entende o comissário. Frattini realça alguns casos preocupantes, como o de Itália, onde em 2005 desapareceram 1850 menores, e a Bélgica, onde foram registados 1022 desaparecimentos.

A Comissão Europeia assinala o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas adoptando por símbolo a flor de miosótis, que é conhecida em inglês por ‘forget me not’ (não te esqueças de mim).

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PERCURSOS

- Não andes sozinho nem com os teus amigos por ruas desertas ou descampados, mesmo que seja mais perto.

DINHEIRO

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- Não tragas contigo muito dinheiro nem objectos valiosos (relógios, fios de ouro).

CUIDADO

- Recusa-te sempre a entrar em automóveis de desconhecidos, sob que pretexto for.

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OFERTAS

- Não aceites guloseimas, rebuçados, pastilhas elásticas, tabaco, etc., que te ofereçam pessoas que não conheces. Afasta-te dos desconhecidos.

AJUDA

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- Se te encontrares em dificuldades, telefona para o 112 e, se puderes, dirige-te à esquadra mais próxima. Se fores agarrado, grita o mais alto que puderes e tenta fugir.

CASA

- Se te encontrares só em casa não abras a porta a ninguém, a não ser que seja de absoluta confiança.

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LOCALIZAÇÃO

- Se te perderes dos teus pais não te afastes do lugar. Será mais fácil a tua localização. Não vás com ninguém e fala com um segurança ou um polícia. Procura decorar a tua morada e telefone.

INFORMAÇÃO

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- Não forneças dados da tua família ou da tua casa a pessoas desconhecidas.

- Tenha atenção às quebras na rotina diária do seu filho.

- O mesmo em relação às alterações de comportamento.

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- O computador não é o único nem o melhor amigo do seu filho.

- Os ‘amigos on-line’ são, na realidade, completamente estranhos.

- Garanta que os menores não divulguem informação pessoais.

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- A internet mal utilizada é espaço privilegiado para ofertas enganosas e aliciamento encoberto.

- Em caso de suspeita salvaguarde todos os elementos relativos à proveniência e conteúdo dos contactos.

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