Polícias penduram farda contra saída de Fátima
A imagem de S. Miguel Arcanjo, padroeiro da PSP, é das poucas referências à corporação que ainda restam na esquadra de Fátima. A passagem do testemunho à GNR ocorre na madrugada de segunda-feira, mas a transição não está a ser pacífica. Ontem, alguns agentes penduraram uma farda numa árvore em frente ao edifício, para tornar público o descontentamento.
Os 40 polícias da esquadra de Fátima vão ser reintegrados noutros concelhos do distrito de Santarém e as preocupações com o acréscimo nas despesas com deslocações são generalizadas.
“Há colegas que terão de fazer perto de 200 quilómetros por dia e que não têm condições financeiras. As famílias vão passar mal”, lamenta Rui Soares, delegado da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP).
A saída da PSP de Fátima, por troca com a GNR, faz parte do plano de reorganização do dispositivo territorial das forças de segurança elaborado pelo Ministério da Administração Interna.
Os comerciantes e moradores da Cova da Iria chegaram a promover um abaixo-assinado, com mais de mil subscritores, numa tentativa de impedir a saída da PSP. Sem sucesso.
A mudança está em curso e as obras para adaptação do edifício ao novo dispositivo, com 50 militares, decorrem a bom ritmo, para desespero dos elementos da PSP.
“Merecíamos mais respeito. É complicado estar a receber os utentes com o barulho das obras e o cheiro a tinta. Entrámos em Fátima pela porta grande e saímos de forma inglória. Até as insígnias da PSP já tiraram da esquadra”, queixa-se Rui Soares.
Quanto à distribuição dos agentes por outras esquadras, o delegado sindical lastima a falta de informação. “Sabemos que vamos ser colocados em Santarém, Tomar, Abrantes, Torres Novas e Cartaxo, mas ninguém nos diz em concreto o local”, continuou Rui Soares.
Dispostos a lutar até ao fim “pela dignidade” da corporação, os polícias penduraram um casaco e umas calças do fardamento, em frente à esquadra. No chão, colocaram uns chinelos, para “simbolizar as dificuldades que os agentes estão a passar”.
MUDANÇAS
A segunda fase da reestruturação das forças de segurança, marcada para segunda-feira, dia 16, provocará alterações também em S. Martinho (Alcobaça) e São Pedro de Moel (Marinha Grande). O policiamento passa a ser feito por militares da GNR.
POSITIVO
O secretário de Estado da Administração Interna, José Magalhães, fez um balanço positivo da primeira fase do plano de reorganização do dispositivo territorial da PSP e GNR. Houve mudanças em 15 distritos do País.
OBJECTIVOS
O objectivo destas mudanças é “acabar de vez com as situações de sobreposição e descontinuidade territorial nas áreas de intervenção da PSP e da GNR”, refere o Governo.
PROVA
A GNR vai ter a sua primeira ‘prova de fogo’ em Fátima, daqui a um mês, com a realização da peregrinação internacional ao Santuário, a 13 de Maio.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt