POPULAÇÃO DEFENDE SEQUESTRADOR DE SUSPEITO
Um homem de Vale de Espinho, Sabugal, que amarrou um vizinho a um tractor, poderá ser acusado de tentativa de sequestro, apesar de ter actuado para facilitar a acção das autoridades policiais, pois a vítima é suspeita da prática de vários crimes na região.
No último fim-de-semana, dois indivíduos, de 30 anos, terão furado os pneus de um carro e de um reboque de tractor, propriedade de dois moradores de Vale de Espinho. O proprietário do reboque, António Cunha, apanhou um dos suspeitos e amarrou-o a um tractor, no interior da sua garagem. "Eu só o segurei em casa até à chegada da GNR, mas de nada valeu, pois no posto fui eu quem passou por criminoso, enquanto os vândalos foram identificados e nada lhes aconteceu", destacou o trabalhador da construção civil.
"Ele só queria facilitar o trabalho dos guardas", afirma Marília Cunha, mulher de António Cunha, que considera a situação "uma vergonha, até porque um deles confessou que foi o colega a rasgar os pneus e nada lhes aconteceu".
O comandante do Destacamento de Vilar Formoso da GNR, capitão Pedro Oliveira, considera que foi "cometido um acto que poderá representar uma tentativa de sequestro, tendo em conta que limitou a liberdade de outro cidadão. Essa atitude prejudicou-o, porque bastava identificar o suspeito e a Guarda tratava do resto".
Os habitantes de Vale de Espinho queixam-se da falta de segurança, sobretudo devido à acção destes dois indivíduos, apontados como responsáveis por vários assaltos e actos de vandalismo em carros e casas. "Por vezes tenho muito medo, porque agora há pessoas capazes de matar por alguns tostões", afirma Isabel Pires, viúva, de 65 anos, adiantando que sabe-se quem são os suspeitos, mas as pessoas nada dizem porque têm medo.
DENUNCIAR
O capitão Pedro Oliveira referiu "não ver razões para tanto alarmismo. No posto não há queixas contra os indivíduos referenciados pelos populares. Terão de denunciar os actos para que possamos agir. Caso contrário, tudo não passa de suspeitas”.
NOITE
Os moradores de Vale de Espinho acusam os dois indivíduos de serem responsáveis pela insegurança vivida na localidade, mas porque actuam "pela calada da noite” nunca foram descobertos em flagrante delito pelos populares ou por elementos da GNR.
MEDO
As pessoas suspeitam "sempre dos mesmos", mas "com medo de represálias" não nomeiam ninguém. "Estou com muito medo. Os meus filhos poderão estar em perigo e um dos vândalos até já ameaçou que matava o meu marido”, disse Marília Cunha.
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