“População dependente do saldo migratório”
Maria João Valente Rosa, Professora da Universidade Nova de Lisboa explica redução demográfica em Portugal.
Correio da Manhã – Desde o início do ano que se verifica uma redução de 15 mil habitantes em Portugal. Quais as explicações para esta quebra?
Maria João Valente Rosa – Em termos demográficos, devido à existência de fenómenos sazonais que influenciam o total de nascimentos e óbitos, optamos por comparar períodos homólogos.
A existência de menos dois mil residentes entre o segundo trimestre deste ano e igual período de 2009 é, do ponto de vista de análise, insignificante num universo de dez milhões de habitantes. Porém, podemos avançar um bocadinho: os números indiciam uma progressiva desaceleração do crescimento da população portuguesa.
– Uma desaceleração resultante de quê?
– De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, a população portuguesa cresce cada vez menos, e este ano pode estar mesmo a diminuir, se o saldo migratório não for positivo
– A taxa de crescimento natural é então negativa?
– Foi em 2009 e tinha sido em 2007. É preciso recuar até 1918, devido aos efeitos da gripe pneumónica, para encontrar valores negativos na diferença entre nascimentos e óbitos.
– As estimativas do INE apontam para a existência de um saldo migratório menor?
– O crescimento da população portuguesa tem estado dependente do saldo migratório [diferença entre o número de emigrantes e de imigrantes], que nos últimos anos tem sido positivo. Face à existência de um crescimento natural negativo, se o saldo migratório também for negativo, então haverá redução da população.
– Só o Censos 2011 irá então determinar se a população está a diminuir?
– O recenseamento irá afinar todos estes valores, mas as estimativas do INE são bastante credíveis.
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