Portugal desativa reator nuclear da Bobadela
Unidade que salazar mandou construir funcionava desde 1961.
O único reator nuclear português, que funcionava no Campus Tecnológico e Nuclear da Bobadela (Loures), integrado no Instituto Superior Técnico, começou a ser desativado. O núcleo do reator com o urânio usado já foi transportado secretamente em março para os Estados Unidos, seguindo-se agora o desmantelamento completo das instalações, que ainda deverá demorar uma década, noticiou o Público
No mesmo local deverá nascer um centro de tratamento do cancro com protões. "É o fim da era da energia nuclear e início da era da saúde nuclear e tratamento do cancro", afirmou Manuel Heitor, ministro da Ciência , Tecnologia e Ensino Superior, frisando que o objetivo é "aproveitar as competências acumuladas em física nuclear e proteção radiológica".
O reator nuclear, que tinha fins científicos e educativos, começou a funcionar em 1961 por decisão do então chefe de Governo António Salazar. O objetivo era preparar a construção de centrais nucleares para produzir energia elétrica, o que nunca chegou a concretizar-se.
"Ficamos satisfeitos porque deixamos de ter um reator nuclear. Os custos necessários para continuar seriam exorbitantes e mostram como as novas regras deixam o nuclear caríssimo. Fico apreensivo porque mesmo assim Finlândia, Reino Unido e França estão a construir novas centrais nucleares", disse ao CM Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero. Nuno Sequeira (Quercus) também se mostra "satisfeito".
"Não fazia sentido o reator continuar, porque não há planos de ativar a energia nuclear. Mas gostaríamos de uma atitude mais firme para que os nossos vizinhos espanhóis abandonem a central nuclear de Almaraz e não venham a explorar urânio em Salamanca", disse.
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