Predador apanha 18 anos
Violada e asfixiada duas vezes praticamente até à morte, há quase um ano, Joana, nome fictício, de 15 anos, viu a sua vida transformada num autêntico calvário. Sofreu graves lesões cerebrais e físicas e desde então não se alimenta sozinha, tem muitas dificuldades em andar e falar e acorda lavada em lágrimas quase todas as noites. Ontem, Ricardo Manuel, o homem de 24 anos que lhe destruiu a vida, foi condenado a 18 anos de cadeia pelo Tribunal de Vila Nova de Gaia.
O violador, que também roubou um telemóvel e um leitor mp4 à vítima, terá de pagar à menor 35 mil euros por danos não-patrimoniais. Há ainda a discutir uma indemnização de 250 mil euros que só deverá ser atribuída após o caso transitar em julgado.
A juíza classificou o crime como "um acto bárbaro e repleto de crueldade". No final da sessão, olhou directamente para o predador e pediu-lhe que se torne uma pessoa melhor na cadeia. "Se a menor não tivesse tanta vontade de viver, provavelmente teria morrido", disse.
Na sala de audiências, os pais de Joana ouviram emocionados as palavras da juíza Paula Paz Dias. O casal não escondeu o sofrimento quando a magistrada relatou a violenta agressão sexual de que a menina foi alvo a 21 de Agosto do ano passado, em Gaia.
Joana esteve 12 horas inconsciente e foi despida pedir ajuda a um restaurante McDonald’s.
"O arguido apenas abandonou a menor porque pensou que estava morta, não queria que ela o seguisse ou que mais tarde o denunciasse", adiantou a juíza.
A magistrada acrescentou que o arguido teve sempre uma postura fria e que nunca mostrou arrependimento. Após Joana ter sido asfixiada quase até à morte, o sangue deixou de circular até ao cérebro. A menor esteve em coma vários meses e depois foi internada num centro em Alcoitão.
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