Prédios sem portas
Há pelo menos quatro anos que não temos porta no prédio. Já informámos a Câmara de Lisboa, por diversas vezes, mas o problema teima em ser resolvido”. Joaquim Medeiros, de 66 anos, presidente da Comissão de Utentes do Bairro da Boavista, assegura já não saber a quem recorrer para evitar que o ‘hall’ da entrada do prédio onde reside desde 1997 continue a ser utilizado por “toxicodependentes”.
“Além da droga, também temos de ter muito cuidado com os assaltos”, acrescentou Joaquim Medeiros, frisando que, na semana passada, um vizinho “teve de correr, e muito, para fugir a tempo para dentro do elevador” de dois jovens, de cor “que o tentaram agarrar. “Se fosse um idoso e não se tivesse agarrado com força ao elevador tinha sido mais uma vítima de roubo.”
Os prédios em causa situam-se na Rua Rainha Dona Catarina, a poucos metros do estádio de Pina Manique. “As portas eram de alumínio e vidro. Começaram por partir os vidros. Depois levaram o alumínio para o vender no ferro velho. Não sabemos quem é que as vandalizou”, observouJoaquim Medeiros.
Gabriela Costa, de 64 anos, reformada, também reside no prédio n.º 17 desde Agosto de 1996 e garante que já apanhou “muitos sustos”. “Há mais de quatro anos que partiram isto tudo”, afirmou, enquanto apontava para a entrada do prédio. “É o nosso e mais três ali adiante. Não sabemos quem foi. E desde que não temos porta tem havido muitos assaltos. Andamos todos cheios de medo. Além disso, os drogados aproveitam o interior para se meterem dentro do prédio. Até tirámos a porta de uma arrecadação para não sermos surpreendidos quando entramos no prédio.”
Francisco Ribeiro, presidente da Gebalis, empresa que gere os bairros municipais de Lisboa, disse ontem ao CM que a questão das portas na Boavista será resolvida em breve e aconselhou os moradores a formarem comissões de lote. “Noutros bairros isso já acontece e com resultados positivos. Infelizmente, em alguns prédios, há uma minoria de pessoas que vandaliza o que é de todos. No entanto, quando são os próprios moradores a fazer pequenas obras com materiais disponibilizados pela Gebalis, as coisas têm durado mais tempo.”
Já Maria José Nogueira Pinto, vereadora com o pelouro da Habitação Social, adiantou que os principais problemas dos 72 bairros municipais de Lisboa estão diagnosticados e que dentro de “pouco tempo” será realizada uma intervenção geral, orçada em mais de 60 milhões de euros.
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