Primeiro funeral em São Xisto
O som seco da terra a cair nos caixões misturou-se com as lágrimas e os gritos naquela que foi a primeira manhã do resto da vida da aldeia de S. Xisto. No exíguo cemitério de Vale de Figueira, com vista para as casas da tragédia, pouco mais de meia centena de pessoas assistiram ontem ao funeral do casal Jusmino Vila Real e Maria Alice Ribeiro, o autor do triplo homicídio e uma das suas vítimas. Ernesto Ermidas e Etelvina Lopes, os outros dois mortos, serão sepultados hoje de manhã.
Ao contrário do que chegou a ser adiantado, os caixões de Jusmino e de Maria Alice seguiram juntos o curto caminho entre a Igreja de Vale Figueira e o cemitério perante o olhar de familiares, amigos e antigos colegas do empregado da Refer.
“Este é o povo do Douro”, garantia Adelino Lopes, o presidente da Junta de Freguesia de Vale Figueira, olhando do alto para as pessoas à porta do cemitério. “A hora é de reflexão e de lamento. E amanhã (hoje), com o funeral do senhor Ernesto e da dona Etelvina, será virada esta página trágica.”
O ambiente de consternação gerado pelos disparos que ceifaram quatro vidas não deixou ninguém indiferente. Afinal, os dois casais, além de vizinhos, eram ‘compadres’, devido ao casamento de um filho de Jusmino com uma filha de Ernesto.
São Xisto, a aldeia que na matança de sexta-feira ficou sem quatro dos sete habitantes, vive dias de incerteza perdida numa encosta do Douro. As três pessoas que ainda restam, um casal e uma prima, todos sexagenários, parecem mais inclinadas a deixar de vez a localidade com vista para o Douro e a seguirem para casa dos filhos.
JUNTOS NA MORTE
Ernesto Ermidas e Etelvina Lopes, o casal morto a tiro por Jusmino, na tarde mais negra de S. Xisto, na sexta-feira, serão sepultados hoje, no pequeno cemitério de Vale de Figueira. Os dois casais, que partilhavam a aldeia, ficarão também juntos na morte, por vontade das famílias.
MOVIMENTO A MAIS
Não é normal em Vale Figueira a agitação que se viveu ontem e que, por certo, se repetirá hoje perto do cemitério. “Provavelmente, estará mais gente no funeral das vítimas e é possível que venha pessoal de todas as aldeias vizinhas”, explicava um popular de Vale Figueira.
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