Prisão para jovens que agrediram idoso
Os jovens contratados há um ano e meio para agredir um idoso no Algarve foram esta terça-feira condenados pelo Tribunal de Faro a oito e sete anos de prisão efectiva, as mais pesadas penas atribuídas pelo tribunal neste processo.
O mandante do crime, o septuagenário Manuel Martins, foi condenado a três anos e meio de prisão com pena suspensa e ao pagamento de 5 mil euros à vítima, o seu vizinho Manuel Casimiro, no prazo de 18 meses.
Já Luís Brás, de 40 anos, o intermediário que contratou os três jovens - um dos quais menor, razão pela qual o seu envolvimento será julgado à parte no Tribunal de Família e Menores -, foi condenado a seis anos e três meses de prisão.
A vítima vai ainda receber uma indemnização de 27 mil euros, que será repartida por Manuel Martins, Luís Brás e os jovens André Ramos, condenado em cúmulo jurídico a oito anos e dez meses de prisão e Marco Rodrigues, condenado a sete anos.
O primeiro jovem, natural de Quelfes, viu a sua pena agravada em um terço pelo tribunal por ter antecedentes criminais e ser reincidente.
Os arguidos foram condenados pelos crimes de furto qualificado, dano, transporte e detenção de arma de caça proibida, ofensa à integridade física qualificada, sequestro e homicídio qualificado na forma tentada.
CONTRATADOS POR 750 EUROS
O caso remonta a 2009, quando Manuel Casimiro, que conseguiu salvar-se, foi esfaqueado, agredido com socos, pontapés e à pedrada e coagido a entrar no seu carro que foi depois lançado para fora da estrada, em Parizes, São Brás de Alportel.
O tribunal considerou que os jovens "admitiram e se conformaram" com a possibilidade de que a vítima poderia vir a morrer na sequência das lesões provocadas pelas agressões e do facto de ter sido lançado dentro de um carro por uma ribanceira.
Os jovens foram contratados para agredir a vítima por 750 euros, mas o tribunal nunca chegou a provar o teor concreto do "serviço" encomendado por Manuel Dias já que a história apresentava "uma série de fragilidades", afirmou o juiz.
Por provar ficou igualmente o motivo exacto do crime, que o tribunal apurou estar relacionado com divergências no Clube de Caça a que ambos pertenciam.
O advogado do mandante do crime, Carvalhinho Correia, considerou a pena "justa" e afirmou que não iria recorrer da sentença, ao contrário dos causídicos dos restantes condenados que ponderam recorrer.
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